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Anti-herói

  • Foto do escritor: Isabela Pelluso
    Isabela Pelluso
  • 1 de nov. de 2024
  • 2 min de leitura

A raiva no geral é ruim, mas acredito que por vezes ela nos serve como mobilizadora. Ou devo me conformar com a raiva que sinto por quem destrói os biomas e oceanos? Devo me conformar com a raiva de quem retém as riquezas enquanto a fome se espalha? Conformar-me com a opressão e exploração humana? Com medo da morte cotidiana de quem sou e das pessoas que amo por serem quem são também?

Nos chamam de baderneiros, tumultuadores e até vagabundos por querermos retomar aquilo que nos foi tirado. Aquilo que é nosso por direito mas sob o cimento e o concreto foi aterrado para ser silenciado. Quem lembra de quem durante toda a história foi relegado ao apagamento? E serei eu a vilã da história por dizer basta a essa máquina, operada pelas lágrimas de mães que choram com o sangue de suas crianças em mãos?

Ensinam bem cedo que quem obedece pode ser recompensado. Mas o custo da obediência é perder parte de mim nessa caminhada e assumir a vitória para os algozes que desde o início nos puseram no chão. Por isso, eu digo, que enquanto a mira nos apontar, se rebelar não somente justo, mas um direito. Rebelar-se, é para alguns, o único instrumento de sobrevivência.

Romper essa tradição de silenciamento não é fácil, pois, somente é expressa pelas fissuras cotidianas que impomos nas estruturas estabilizadoras desses regimes de controle. Mas como Jorge matemos esse dragão, pela justiça dos com sangue derramado no chão.. Como Hobin Hood, tomemos de volta o ouro, as terras, a cultura, a diversidade que tiraram do nosso povo. Deixemos de confundir a reação de anos de exclusão com a ação que nos promoveu tal violência.

Sejamos fora-da-lei, subversivas, rebeldes, traidores de todas as normas que servem para justificar as correntes que nos aprisionam. Forjemos a justiça pelos que nunca foram olhados, com a raiva de quem jamais se conformará em não lutar. Uma espécie de anti-herói, que com muitas mãos reescreverão o fim dessa história.


Ametista

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1 comentário


Christina Rocha
Christina Rocha
09 de jan. de 2025

mandou muito!

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