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Bairro Boêmio

  • Foto do escritor: Isabela Pelluso
    Isabela Pelluso
  • 8 de jan. de 2025
  • 1 min de leitura

Cora Coralina era o tipo de pessoa que parecia ter saído de uma novela de época. Não por seus trajes — ela vestia jeans e camiseta como qualquer um —, mas pela aura de mistério que a acompanhava. Era impossível defini-la com precisão.


Ela morava em um apartamento antigo no bairro mais boêmio da cidade, cheio de plantas penduradas nas janelas, como uma pequena floresta suspensa. As janelas, sempre abertas, exalavam um perfume de jasmim que intrigava os vizinhos.


O curioso era que Cora Coralina nunca parecia apressada. Enquanto o resto do mundo corria, ela caminhava calmamente, como se o tempo não lhe fosse uma preocupação. Na padaria, fazia questão de pedir um café passado na hora e ouvia atentamente as histórias do padeiro. No mercado, era capaz de passar minutos escolhendo as melhores frutas, segurando cada maçã como se ela carregasse um segredo.


Mas o que realmente intrigava eram suas histórias.


Cora Coralina adorava falar sobre poesia.


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