Conformidade no esgoto
- Isabela Pelluso
- 25 de out. de 2024
- 2 min de leitura
Duas vezes. Na primeira, você pegou meu coração e colocou um véu, porém era tão transparente que dava para enxergar a sua mentira. Enquanto você declarava formas insuficientes para me ver, eu olhava, apurava e enxergava, na verdade, a sua falta de vontade. Talvez “a falta de vontade” surgiu por conhecer outro alguém. Talvez “a falta de vontade” veio pela distância que estamos um do outro, apesar de conversar bastante durante as semanas. Talvez “a falta de vontade” virou receio e falência do amor.
No entanto, uma coisa era certa: eu sabia de tudo. Dizem que o ser humano tem cinco sentidos, acho que não sou um, pois tenho seis. Eu senti que havia outro alguém na jogada. Senti que você não queria me encontrar por ser péssimo em mentiras.
Já na segunda vez, tudo ficou mais explicado. Sabe aquele ditado “quem apanha, não esquece”? Eu não esqueci. Mesmo após meses, declarando cartas de amores e paixão ardente sem fim, eu vi seus stories e soube na hora que você mentiu novamente. Dessa vez, eu já sabia o que estava acontecendo, e então eu soltei uma risada de deboche. O mais engraçado disso tudo é que você se incomodou mais por uma risada do que como você me fez sentir na primeira vez. Eu soube ali, enquanto você reclamava e falava de mim, que você só achou ruim quando sentiu por si. A pele é a camada mais sensível e exposta do nosso corpo.
Queria chorar, queria gritar, queria discordar, mas sabia que não éramos perfeitos para um ao outro. Para não desgastar minha saúde mental, preferi apenas calar e assentir. Com certeza, você não sabe de como me senti.
Agora, após meses, passei de ônibus pela cidade e lembrei de você. Descobri que a pior decisão da minha vida foi ter ficado em silêncio naquela discussão. Eu sempre penso no que teria acontecido se eu tivesse falado e apontado dos meus sentimentos. O sentimento de amar e não ser amado. O sentimento de insuficiência insaciável. Acredito que agora não importa para você, já que está com Aquela Pessoa. Sim, eu sei que está com ela.
Bill Frango


Muito profundo, obrigada por isso