Consciência ou Consequência?
- Isabela Pelluso
- 1 de nov. de 2024
- 2 min de leitura
“Zeitgeist” é um termo em alemão que designa o conjunto de crenças, ideias, filosofias, influências e comportamentos mundiais de uma época ou período de tempo. Significa, em tradução literal, “Espírito do Tempo” ou “Espírito da Época”. E é pela dificuldade de empatizar com boa parte dessas crenças frágeis e efêmeras, pautadas no que é visto, vivido ou relatado por desconhecidos e de discordar dessa ideia tosca de desprendimento fútil daquilo que pesa e nos ancora nesta curta existência no mundo, que tomo a difícil tarefa de adotar tal pseudônimo em incompreensão repulsiva ao que representa.
Por este motivo que a palavra “Geist” combinaria mais com tal autor. Como um “Fantasma”, nasço de um sentimento profundamente intenso e latente, me alojando em um objeto para assombra-lo pela eternidade. Este objeto são meus inflexíveis princípios que assombram os indignos de partilhar a caminhada pela verdade a qual acredito. Vejo-os partir com deleite no olhar e a certeza presunçosa de que é o correto.
Sei que soa arrogante de minha parte e a reconheço, mas entenda isso como uma perspectiva pessoal em detrimento do todo. “Zeit” é algo que eu não tenho a perder, então eu não irei perder tempo com aquilo ou aqueles que me afastam do exercício da minha intuição. Afinal, esta me falhou menos do que a análise rasa das pessoas.
Dependo até demais da (mal)dita intuição na hora de agir, por sinal. Embora não me falhe, ela não é um poder mágico evocado pela simples vontade de agir. Não, muito pelo contrário, é um lampejo, um clarão, uma epifania sinérgica na cacofonia do cotidiano. Pode surgir quando a razão me indica ser o certo e desmorona as estruturas criadas ali, ou então pode frear e ultimamente cessar a rapidez de um sentimento florescente.
Mas embora seja pouco controlada, essa intuição pode ser um tanto previsível. Percebi com os anos que esta voz que ecoa no interior é impulsionada pelo desejo de auxiliar a trajetória daqueles que partilham a dita caminhada pela verdade. Assim, as chances de a intuição surgir e direcionar-me à algum lugar nasce da necessidade de clarear o caminho do outro, iluminando o meu por consequência.
Talvez, por ironia do destino, que seja tão difícil formar conexões reais hoje em dia e, por ver essa dificuldade como desafio e não impeditivo, que nutro tamanho repúdio pelo desprendimento. É um caminho solitário, definitivamente, e poucos são aqueles que mantenho por perto enquanto o trilho, mas sei com toda a certeza que minhas entranhas me sussurram, de que são estes que valem a pena caminhar com. Aqueles que não tem medo de olhar pro escuro, sorrir e tomar um passo adiante.
Eu, Zeitgeist, pertenço ao arquétipo do Mago e lhes garanto que é mais sobrenatural do que faço soar.
Zeit Geist


Seu texto foi a melhor descrição do arquétipo mago que eu poderia ler
Seu texto me fez refletir meus proprios valores.