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Corrida Estática

  • Foto do escritor: Isabela Pelluso
    Isabela Pelluso
  • 25 de out. de 2024
  • 1 min de leitura

Era uma segunda-feira, o início de mais uma semana, e com ela, a rotina recomeçava. Januária encarava a pilha de livros que precisava ler, os filmes que planejava assistir, as matérias atrasadas que ainda não havia copiado e as inúmeras responsabilidades da nova faculdade. Tudo parecia pesado, sufocante. Ela se pegava desejando estar em qualquer outro lugar. Mas, por quê? Havia abdicado de tantas coisas para estudar em uma faculdade federal, lutado tanto para chegar ali. Agora, quando finalmente estava onde tanto queria, se via incapaz de aproveitar.


Parece que, por mais que façamos, sempre há algo a mais que poderíamos ou deveríamos fazer. Mesmo as vitórias, por mais aguardadas que sejam, trazem apenas um alívio passageiro, logo substituído por novas pressões, novas metas a cumprir.


Sem perceber, Januária transformava sua vida em um looping infinito, onde a busca por mais resultados, mais eficiência e mais sucesso não tinha fim. O problema é que esse ciclo de exigências criava um padrão impossível de ser alcançado. Ela pensava tanto no futuro que não tinha tempo para apreciar o presente, para reconhecer o quanto já havia conquistado.


O que ela precisava, na verdade, era uma pausa. Um momento para respirar, para ser gentil consigo mesma. O desafio, agora, era encontrar um jeito de viver o presente, sem ser sempre refém do que ainda estava por vir.


Januária Couto

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1 comentário


Bill Frango
Bill Frango
27 de out. de 2024

O futuro é tão incerto, bate uma ansiedade enorme, principalmente na faculdade…

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