Diurnos Pesadelos
- Isabela Pelluso
- 25 de out. de 2024
- 1 min de leitura
Me sinto cansada. Há anos me sinto muito cansada. Cada fase da minha vida, essa exaustão aparece de forma repentina querendo me puxar para baixo e fundir com a solidão presente no meu corpo. Ao longo dos dias, esse cansaço é como uma recompensa, eu não sei o que exatamente, mas é um alívio ao deitar minha cabeça e me sentir viva. É um sentimento contraditório porque não me sinto completa. Estranho falar isso, mas é uma verdade. Diariamente me sinto em conflito com o futuro, não quero ser antagonista da minha história e ir aos poucos me perdendo para a protagonista do futuro. Dias longos me sinto completa de gratidão, em noites longas me sinto um copo d'água derramando de melancolia. Quero observar mais as paisagens à minha volta, tocar meus pés na areia da praia, morar no abraço da minha pessoa amada e ter o sono com os sonhos mais tranquilos do mundo. Porém, o futuro me assusta. A pressa de ter tudo ao mesmo tempo me assusta em pesadelos diurnos. A falta que sinto da minha pessoa ao me olhar no espelho e me reconhecer naquele momento. Não tenho tempo para parar e pensar nas minhas conquistas, me sinto invalidada por não estar curtindo o mesmo momento que os outros. E por isso que sinto medo do futuro porque sei que daqui uns anos não estarei comemorando minhas vitórias do presente e sim buscando mais sentidos para me orgulhar um dia. Nunca terá um fim, um eterno loop de ingratidão a todos os meus anos de construção e conversas desnecessárias de puro interesse e pertencimento.
Flora Campos


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