Eu ou nós
- Isabela Pelluso
- 15 de nov. de 2024
- 1 min de leitura
Quando eu era criança eu não tinha uma definição de "melhor amigo" formada, não sabia a quem dar esse título, mas, apesar dessa incerteza, sempre foi ele.
Ele que ria comigo até a barriga doer, ele que era meu parceiro. A gente sempre se entendeu mais do que tudo, fazia as mesmas coisas e agia do mesmo jeito, as pessoas comentavam que achavam engraçado tamanha similaridade...
Mas as coisas não duram para sempre, certo? Uma hora eu ia crescer, ver o mundo e me tornar quem eu sou, acho que ele não gostou disso... acho que ele gostava mais quando era só a gente, quando ele sabia tudo que eu pensava e a minha diversão era viver com ele.
Eu ainda to aqui, nos ainda podemos ser amigos...
Mas antes de eu argumentar sobre isso, ele desistiu de mim, ele preferiu deixar pra lá, eu amadureci demais, eu aprendi demais, eu me tornei alguém além dele, além da gente.
Eu fui obrigada, eu tive que escolher, se preferia ser feliz, fazer críticas e ter opiniões ou, se eu não fizesse tanta questão assim de mim mesma, ter meu pai comigo.
Nós não somos mais amigos, eu queria voltar a ser criança.
Ele não me olha mais com os mesmos olhos, eu sequer sei como fazer ele rir hoje em dia, não somos mais íntimos, eu precisei renunciar ele para conseguir ser eu.
Vercílio


Não precisamos nos anular para caber dentro de alguém, por mais difícil que seja, você fez a decisão certa