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Joga pedra na Geni

  • Foto do escritor: Isabela Pelluso
    Isabela Pelluso
  • 4 de out. de 2024
  • 1 min de leitura

Nasci em uma micro cidade de 10 mil habitantes - onde tudo passa devagar - o tempo, as pessoas levam mais tempo para envelhecer, a vida passa devagar, a tarde demora a cair, a aurora chega iluminando toda a cidadezinha, trazendo o esperançar de um novo dia.


Logo na infância vim para a capital, assim como o Cartola, vim porque precisava me encontrar. Precisava entender quem eu era longe de tanto tradicionalismo que nunca pertenci. Até hoje não sei se me encontrei, a busca por pertencer é ávida, sempre mergulhada em minhas contradições, incertezas e incoerências que me preenchem.


Nascer mulher é resistir, o medo dos olhares julgadores, o medo da violência em tantas esferas, as imposições sociais, a padronização do que é ser mulher. Agora tudo isso somado ao nascer em uma cidade onde o conservadorismo resiste de uma forma tão latente e adestradora. Por lá, ser exatamente o que é, é subversão.


Falar do que sou me tira da zona de conforto, me traz hoje aquela menina que na cidadezinha sempre precisou se adequar às normas e condutas para ser aceita, e mesmo assim, nunca pertenceu.


Fazer as pazes com minha essência, raízes e dançar nessa brisa, é o mais perto que cheguei de experiências psicodélicas. Nesse processo, abracei e acolhi minhas cicatrizes, entendendo que ali doeu, e hoje não dói mais.


Chego a conclusão que se minha existência é resistência, seguirei resistindo, rogando por dias melhores para nós, - em especial mulheres pretas-, e me acolhendo em cada erro, acerto e passo que euder.


Não irei sucumbir!


Cora Coralina

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1 comentário


magriuff
15 de jan. de 2025

Viver ja é uma forma de resistência, continue vivendo!

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