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Laroyê

  • Foto do escritor: Isabela Pelluso
    Isabela Pelluso
  • 15 de nov. de 2024
  • 2 min de leitura

Você olha no fundo dos meus olhos e diz que não sou mais a mesma; como poderia? Quanto mais sou surpreendida pela vida, menos você me incentiva. Consegue escutar minha interna gritaria? Você diz que me afastei; como não me afastaria? Quanto mais eu sorria, menos você me via. Quanto mais eu falava, menos você escutava. O quanto preciso renunciar de quem sou pelo seu conforto? É tão claro agora. Minha felicidade não te faz (mais) feliz. Um dia eu já te fiz sorrir. Eu estou em pedaços, por favor, me deixe ir.


Você quer mais motivos. Tudo bem, eu posso dar-los. Me sinto ignorada cada vez que me olha. Toda vez que, ao me mandar mensagem, ignora minha resposta. Toda vez que, animada, te contava sobre meu dia e você apenas fingia que ouvia. Toda vez que, exausta, eu desabava, e o seu abraço vinha frio, fraco, frágil.


E meu Deus! Eu sei que não sou mais a mesma; como poderia? De água virei vinho, para o seu paladar me tornei amarga, vulnerável, colorida, autoritária. Essas foram suas palavras. Você nunca gostou de bebida alcoólica; ugh, que desculpa fraca. É, no mínimo, irônico, como para todos eu ganhei vida mas, pra você, eu estava perdida. Quanto mais me descobria, menos você me conhecia.


Anos atrás, não consegui te prometer que nunca te abandonaria. Para pessoas como eu, ir embora é rotina. Você sabia. Me sentia na terra da magia enquanto teu ciúme machucava e corrompia. A conexão foi perdida. Aos poucos as palavras desapareceram. Tudo que nos envolvia, adoecia. Eu sei que, pra você, também doía.


A incompreensão agredia. Já sabíamos o que se seguiria. Sinto muito, passou da hora de procurarmos a saída. Sem olhar para trás, tive que passar pela porta. Escolha dolorosa, mas o que mais poderia fazer quando já se está morta? Troquei minha capa de super-heroína, me transformei em tudo que precisava e você só riu da minha cara. Talvez fique satisfeito em saber que, para compensar sua falta, ignoro tudo que possa me lembrar você. Vomito cada vez que escuto seu nome. Nunca mais escutei minha música favorita.


Aos poucos, me lembro que me encontrar me custou você. Sorrio. Agora faço o que você mais repugnava. Acendo uma vela e rezo agradecendo as almas que deram uma volta e me afastaram de tudo o que me cortava a carne e o espírito. A paz que tenho hoje é produto de tudo aquilo que perdi. Laroyê, salve o mensageiro e todos aqueles que conduzem meu caminho.


Lucy Ball

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2 comentários


magriuff
15 de jan. de 2025

Custe o que custar, o importante é nos encontrar

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Ametista
Ametista
12 de jan. de 2025

Laroyê!! Lindo o texto

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