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Melhor amiga

  • Foto do escritor: Isabela Pelluso
    Isabela Pelluso
  • 11 de out. de 2024
  • 1 min de leitura

Aqui estou novamente despida, e pronta para mais um mergulho de cabeça nos meus rios de águas profundas e geladas - odeio água gelada.


Sinto que pertenço ao mundo da autossabotagem desde que cheguei aqui nesse chão.


A autocrítica é como uma melhor amiga que está sempre ali seguindo todos os meus passos, grudada, impregnada, uma mochila, colocando um peso nas costas. Já aprendi a comer com ela, dançar, jantar, almoçar. Quando não se pode lutar contra um inimigo, se junte a ele.


Não que eu ache que seja normal ou saudável não se encontrar, não se achar suficiente, não se achar inteligente, bonito ou interessante como as demais pessoas, mas acredito também que mostrar vulnerabilidades em um mundo onde ser perfeito é um objetivo a ser alcançado, ser real é um ato subversivo.


A insegurança também faz parte de um sistema de retroalimentação, me nutro dela todos os dias, perdendo oportunidades, amizades, relacionamentos e às vezes nem me permitindo ser. Sempre perdendo. Sempre recuando.


Sim, essa sou eu, esse amontoado de inseguranças, incertezas e lacunas.


Engulo o choro e as emoções. É engolido o tempo todo, até o fim. Desde que nasce.


Cora Coralina

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