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Não é uma carta

  • Foto do escritor: Isabela Pelluso
    Isabela Pelluso
  • 11 de out. de 2024
  • 2 min de leitura

Eu não sei dizer porque as pessoas se afastam de mim. Na verdade, na verdade, eu não sei porque eu afasto elas de mim. É difícil compreender esse movimento de fugir daquilo que te faz bem, jogar uma bomba no relacionamento que estava tudo indo bem. Tava né? Quer dizer...quem via de fora achava que não tinham problemas e quem via de dentro talvez pensasse a mesma coisa. Acho que eu também pensava a mesma coisa. É por isso que até hoje, 5 anos depois, eu não consigo entender o motivo de naquele mês de Junho na varanda da minha casa eu reunir toda a minha coragem e dizer: quero terminar. Pude ver em seu rosto a surpresa, a decepção, a tristeza, a confusão. Não estava tudo indo bem? Há 5 minutos a gente tava no sofá assistindo série e agora parece que o chão sob nossos pés sumiu e estamos caindo e caindo, muito mais do que os 3 andares do meu prédio, mas caímos em um fosso infinito que eu mesmo cavei.


A dor que eu mesmo causei em mim e em outro alguém por motivos até hoje inexplicáveis. Na mesma semana chorei até dormir e chorava ao acordar todos os dias, o peso no meu coração era demais, insuportável para sustentar. Mas porque? Não foi você que causou tudo isso? Não foi você que falou? Essa confusão só piora a sensação de perda, a sensação de que nunca vou ser feliz de novo.


Meses depois decido jogar a toalha. Digo que me arrependi e suplico o perdão pelos meu pecado original. Adão e Eva comeram da maçã para ficarem igual a Deus. Eu sofro de dificuldade de me deixar ser feliz. Eu não mereço ser feliz..eu digo a mim mesmo que não faz sentido, mas as minhas ações destrutivas acabam com tudo o que pode ser bom pra mim, minha própria confusão interna é o motor que faz girar essa roda incessantemente...te amo...não te amo...sim, amigo, vou no seu aniversário...cara, foi mal, não consegui sair da cama...está tudo bem comigo...preciso de ajuda. É como se dois vivessem dentro de mim, um me autossabotando e outro tentando me resgatar de meu próprio poço que eu mesmo me coloquei como em "O silêncio dos inocentes".


Isso não é uma carta, mas se fosse eu só queria, no fim de tudo, pedir perdão. Desde aquele dia fazem 5 anos e desde então tudo o que eu tenho feito é te machucar e me machucar, mas você não tem culpa dos problemas que assimbram a minha cabeça. Não sei se um dia a gente vai se ver de novo, se nossos planos vão acontecer, se nossa coelha Lilly e nosso cachorro Sirius um dia vão existir - mesmo que hoje em dia eu pensaria em outros nomes-, não sei se vamos dançar abraçados ouvindo o disco do "Selvagens" tocar na minha vitrola em nosso apartamento decorado com plantas e com a luz baixa..uma garrafa de vinho na mesa, uma estante de livros, era isso que a gente sonhava. Desculpa por ter apagado nosso futuro e nosso presente.


Borboleta

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1 comentário


Bill Frango
Bill Frango
14 de out. de 2024

Borboleta, você não tem culpa!

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