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O Pesadelo do Eu

  • Foto do escritor: Isabela Pelluso
    Isabela Pelluso
  • 4 de out. de 2024
  • 2 min de leitura

A angústia que sinto não é ter que acordar todas as manhãs no mesmo horário, è de estar presa ao meu corpo todos os dias no mesmo horário. Estranho que, nunca me enxerguei como uma pessoa real, que possui sentimentos, amores e boas vivências. Para mim, sou apenas uma pessoa que faz parte de uma cota de personagens para esse plano espiritual. Talvez seja karma. Estranho eu pensar em karma, porque nunca fui få de vinganças externas. Acho que um dos meus medos era nunca ter a oportunidade de ser eu mesma, hoje em dia reflito que meu maior medo é ter a oportunidade de ser eu mesma um dia. Em tardes ensolaradas, vivo explorando a vida de terceiros, sendo observadora de pessoas cercadas de amor. Isso me magoa porque eu nunca estive na posição de ser cercada de amores ou escolher vivenciar esse sentimento. Em tardes nubladas, me sinto acolhida pelos dias cinzas. Não vou mentir, dias cinzas são como eu e por isso me sinto totalmente nublada. Eu gosto de horas iguais. Gosto de olhar para o relógio e saber que são 11:11 da noite e perceber que estou cansada, quero dormir e mergulhar em um sono profundo que me faça sentir no céu, que faça eu me sentir em paz durante os minutos do eterno. Não sou a personagem principal da história e por isso acordo todos os dias, no mesmo horário, com a mesma rotina e com os mesmos receios. E minha angústia de todos os dias, é acordar sabendo que estou presa em um corpo repleto de medos, complexos e inferioridades, em um eterno pesadelo com a minha alma de ter escolhido não ser eu.


Flora Campos

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