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Por baixo da armadura

  • Foto do escritor: Isabela Pelluso
    Isabela Pelluso
  • 11 de out. de 2024
  • 2 min de leitura

Quando é uma mulher negra, você cresce ouvindo que nunca vai namorar um homem branco, e isso nos marca por baixo dos nossos DNAs. Com o seu crescimento e paixão ardente, a mulher negra cria uma expectativa oculta sobre seus relacionamentos. Essa é história de Lia.


Quando completou 21 anos, Lia se apaixonou pelo primeiro homem branco, João. No início do relacionamento, Lia se blindava contra qualquer investida ou olhares quando eles passeavam pelo calçadão de Copacabana. A mulher negra sempre carregava as cicatrizes, e isso a deixava mal. Ela sempre criou uma proteção em relação aos seus relacionamentos, "não pode ser fácil o bastante, mas também não pode dar no primeiro dia", "querida, homens querem só transar contigo". A cada palavra, frase ou expressão racista, Lia se tornava exposta e vulnerável.


Com isso, após o quarto encontro, Lia começou a dar desculpas para não o encontrar, pensando que a qualquer momento ele poderia trocá-la por uma mulher branca, loira de olhos azuis, como ele. Ela não queria se machucar e permitir que essa dor do julgamento a fizesse desmoronar. O que ela poderia fazer se isso estava "destinado" a ela pela sua cor? O mundo sempre a julgou, nunca dava nada por ela e pela sua família. Você pode fazer, mas terá que ser sempre melhor que as outras. Você pode trabalhar com a carreira dos sonhos, mas tem que se destacar.


Lia estava cansada demais, exausta mentalmente. Ela queria quebrar esse estereótipo de que pessoas negras não são capazes de fazer tudo. Então, ela aceitou sair com o rapaz mais uma vez, foram para a mureta do Leme, andavam felizes e apenas o casal importava sob as luzes do luar. No entanto, o João encontrou os seus amigos e largou imediatamente a sua mão. Por seu rosto ser branco, o tom rosado de vergonha o dominou. João a apresentou como uma "colega". O coração de Lia parecia ter sofrido uma facada, doía tanto ser vista assim. A insegurança a dominou, ela cumprimentou com educação e imediatamente foi para casa. João encheu seu celular de mensagens, pedindo para voltar e que ela entendeu errado.


O sentimento de impotência é uma tristeza em forma de um poço sem fim, que logo vira uma amargura. As memórias de sua mãe, avó e bisa falando de relacionamentos voltaram imediatamente, mas será que o problema estava em sua cor ou estava em pessoas iguais a João?


Bill Frango

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