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Preciso pagar a conta de luz

  • Foto do escritor: Isabela Pelluso
    Isabela Pelluso
  • 4 de out. de 2024
  • 2 min de leitura

Eu sinto a escuridão me abraçando em um mais sincero desespero de eu ter ficado tanto tempo sem ver ela que meus braços não reconhecem seu contato, mas ao mesmo tempo ela é tão intima que, pra ela, não passou nem dez segundos desde a última vez. Honestamente, na vida eu nunca fui muito boa com o escuro, eu nunca sei quando que ele vai aparecer, ou sequer o que ele trará com ele.


E não é que eu tenha medo dele, mas, inevitavelmente, ele me deixa vulnerável, de um jeito que eu não consigo ver as verdades na minha frente e minha única vontade é me esconder dentro dele pra que ninguém consiga me ver também, por mais que não sejam muitos os que me veem, além disso, quando está tudo apagado eu sinto vontade de me apagar também, será que faz sentido...?


Eu não quero estar acesa enquanto as luzes não se acenderem de volta eu não quero pensar nas luzes apagadas, elas me perturbam, elas me fazem sentir vontade de cortar todos os meus fios, de acabar com a energia que eu possa ter um dia, e acho que isso acontece porque toda vez que elas desligam, por mais que demore, eu me lembro que essa instabilidade é inevitável e. quando eu menos esperar, não vou estar sob controle do que enxergo, de novo.


As pessoas costumam me ver feliz e luminosa, porque olhar para mim é sinônimo desses adjetivos (dizem elas), desde o periodo infantil da minha existência eu sou lembrada por entregar algum tipo de alegria, mas a vida adulta me atingiu, e, com isso, meu corpo aderiu a responsabilidade de realizar essa entrega, inibindo a ação do meu psicológico, tendo em vista que ele não tem ido mais nesses momentos, tem ficado unicamente no interno, não aparece mais, quero dizer, aparece, mas não para as pessoas, e sim para mim, apesar de ter vezes em que eu nem chamo, tem situações que eu quero que ele fique apagado, e são nessas vezes, que, quase maldosamente, ele se acende, tirando paz e sossego que estava ali presente, o mental, uma vez abalado, resulta em um curta circuito em todo o resto, mexe com a fiação e toda a eletricidade do ser humano, e eu, como qualquer outro, não sou diferente, ele me tira do ambiente o qual estou inserida nos horários inoportunos, e, de uma maneira egocentrica, minha mente é alavancada em completo para um único foco, o escuro.


Para falar a verdade, embora haja a ausência de luz, eu costumo ligar uma lanterna, não consigo me acostumar com a ideia de todos não viverem suas vidas iluminadas unicamente por eu não conseguir alinhar meus fios, então, se for necessário inibir esse meu problema para que os que estão a minha volta enxerguem, que assim seja, depois eu dou um jeito de acertar essa conta (comigo mesma).


Vercílio

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1 comentário


nenúfar
nenúfar
05 de out. de 2024

escrita maravilhosa!

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