Roleta russa com o pente cheio
- Isabela Pelluso
- 11 de out. de 2024
- 2 min de leitura
"Posso te dar um abraço?" essa foi uma das frases que mais escutei de meus familiares e amigas desde que arrancaram uma pequena parte da minha inocência na escola. Eu tento esconder, mas aparentemente é claro e evidente o meu desconforto quando o assunto é toque físico, independente do sexo, idade ou a minha relação com a pessoa e isso realmente me dói porque desde pequeno os braços da minha mãe eram meu pequeno refúgio da realidade, tudo se resolvia assim que eu entrava no meio de seus braços. Porém, ainda que eu não goste, que eu me sinta desconfortável, ainda existem momentos em que o "pequeno eu" só quer fugir da realidade e entrar nos braços de alguém e se sentir seguro.
Mesmo que eu conheça as vontades e até mesmo necessidades da minha alma, continuo possuindo os meus bloqueios de quando eu tinha 12 anos e isso é um dos grandes dilemas da minha vida. Para pra pensar comigo, quando eu sou abraçado por alguém, todas aquelas emoções voltam à tona e eu volto a me sentir aquele menino impotente de 12 anos, mas quando eu me privo dessa necessidade, passo a ser o jovem adulto frio que tem dificuldades de se relacionar com as pessoas. Minha vida parece uma grande roleta russa, só que no jogo da minha vida, o pente está repleto de balas apontadas pra mim, independente da minha ação, eu sempre saio machucado.
Infelizmente, acho que isso mostra como somos capazes de nos fazermos mal sem mesmo ter a intenção. Assim, qualquer ação que eu tomar, ter o contato físico ou não, eu vou sair machucado porque, por mais que eu queira, meu corpo não deixa eu sentir o calor humano. Porém, meu sonho é que, aos poucos, com terapia e conversa, eu vá tirando bala por bala do pente dessa pistola que eu mesmo aponto pra minha cabeça.
Gabriel Perna


uau, muito profundo esse texto