Um aperto no peito
- Manuella
- 29 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
A ansiedade é uma reação emocional natural, uma sensação de apreensão ou
receio, que funciona como um alerta para perigos e desafios. Essa é a definição de
ansiedade ao procurar no Google, mas eu quero falar um pouco da minha própria
vivência com esse transtorno.
A minha primeira crise de ansiedade aconteceu no dia do meu aniversário, foi um
dia maravilhoso e eu estava muito feliz, mas ainda assim, ao deitar em minha cama
eu senti um aperto no peito, calafrios e tremores, um frio avassalador e eu só
conseguia chorar descontroladamente, veio um medo muito forte, um medo
principalmente da morte. Eu nunca entendi porque isso aconteceu em um dia tão
alegre para mim, mas infelizmente a ansiedade é assim, não escolhe hora, nem dia
e não precisa de motivo explícito, ela só te agarra e te derruba. Após essa noite eu
nunca mais tive uma crise dessas, mas os sintomas da ansiedade estão sempre
comigo, independente da intensidade.
Os primeiros sinais já existiam antes da crise e surgiram de forma sutil: a perna
batendo por causa da inquietação, o hábito de arrancar pelinhas das unhas sem
perceber e até a sensibilidade em excesso, chorar em confrontações, por exemplo.
Com o tempo, esses comportamentos deram lugar a sintomas mais intensos, como
a irritabilidade, manter a calma, às vezes, se torna um verdadeiro desafio. A
concentração também foi afetada, penso demais, o tempo todo, e tenho dificuldade
em focar de verdade. E, por fim, o meu sintoma mais angustiante: a desrealização,
uma sensação de irrealidade, como se o mundo ao redor se tornasse estranho, e eu
me sentisse desconectada da realidade. Essas sensações são difíceis de lidar, as
vezes sinto que meu corpo está sempre em modo de defesa, e meus sentimentos à
flor da pele.
Acredito que para mim a ansiedade é um trauma constante em minha vida, é o
trauma de algo que nunca existiu de verdade mas a sensação ficou. É o pavor
inconsciente de perder meus pais que me assombra. É o medo de me tornar uma
pessoa solitária. É a angústia da falta de controle que tenho perante a
imprevisibilidade da vida humana.
Aurora Vienna

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