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Vestidos de Princesa

  • Foto do escritor: Isabela Pelluso
    Isabela Pelluso
  • 4 de out. de 2024
  • 1 min de leitura

Beleza. Uma palavra. Seis letras. Substantivo feminino. Qualidade, caráter ou virtude. É a manifestação característica do belo. Mas acho que eu poderia adicionar mais um significado: a gota que causa a chuva em dias de tempestade interior. Não sei quando começou. Acho que na infância, quando adultos achavam que era uma boa ideia fazer comentários sobre o corpo de uma criança. Ou na escola, quando meus colegas ainda estavam aprendendo sobre boas maneiras e não sabiam que o bullying deixa cicatrizes. Ou na adolescência, quando uma amiga (talvez não tão amiga assim) perguntou ao menino que estava interessado em mim se ele realmente me achava bonita. Mas talvez, a realidade é que não importa quando começou e sim como terminou: com a insegurança e a insuficiência se unindo e abraçando a minha alma. Comigo odiando a pessoa no espelho. Comigo se perguntando se a minha sombra realmente acha que eu mereço ser seguida. Queria que não fosse assim. Queria olhar para outras mulheres com admiração e sem sentir que estou caindo em um abismo. Queria entrar em uma sala cheia de pessoas sem abaixar a cabeça e com o meu reflexo ao meu lado. E, acima de tudo, queria dar orgulho à minha eu de 6 anos, que saía com vestidos de princesa para ir comprar pão em uma manhã de domingo. Mas enquanto isso não acontece, vou continuar plantando amor-próprio no meu coração, esperando o dia em que vão parar de arrancá-lo como uma erva daninha e simplesmente começarão a regá-lo.


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