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A criança que ficou para trás

  • Manuella
  • 29 de ago. de 2025
  • 1 min de leitura

No dia em que minha mãe adoeceu, algo dentro do meu mundo de criança se quebrou. Perdeu o encanto. Um pedaço da minha infância ficou ali, parado, como quando esquecemos a boneca no quintal e nunca mais voltamos para buscar.

Nos primeiros dias, tentaram me distrair, como se uma criança de dez anos pudesse esquecer que o coração da própria mãe estava quase em silêncio. Eu fingia que funcionava. Brincava, sorria, mas, por dentro, sentia um buraco.

Quando ela voltou do coma, foi diferente. Ela voltou para casa, mas eu não voltei a ser filha. Me vi adulta antes da hora. Cuidando dela, da comida, da casa, de mim. Enquanto minhas colegas aprendiam a amarrar o cabelo sozinhas, eu aprendia a engolir o choro escondido.

Lembro do pensamento bobo, mas tão sério para uma criança: e se ela não estivesse lá no Dia das Mães? Parecia que o mundo podia desabar e eu não sabia como segurar.

Cresci rápido. Sem escolha, sem manual. E talvez o que mais doa, até hoje, seja isso: tudo que eu queria ter sido era só uma criança.


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1 comentário


morschmagnolia
07 de set. de 2025

Sinto muito por você ter amadurecido tão precocemente. Permita que a sua criança interior se liberte as vezes!

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