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A ti eu venero... amor

  • Manuella
  • 10 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Meu coração disparava, a respiração era sempre acelerada e as borboletas insistiam em

inventar coreografias em meu estômago como se fosse pista de dança. Era assim que meu

corpo se comportava ao lado da pessoa que, neste momento, segurava a minha mão.

– Pai, chegamos. – Antonella dizia ao se deparar com a família reunida e a recepção festiva.

– Filha, que bom te reencontrar. E você, rapaz, tem cuidado dela?

– Claro, senhor. Estamos nos encontrando em cada etapa da vida, juntos.

Toda aquela conversa de boas vindas e a indagação de meu pai sobre o nosso relacionamento

refletia, puramente, em uma preocupação genuína. Eu entendia o lado dele. Éramos jovens e

jovens são intensos. São imediatos. São, também, muitas vezes irresponsáveis. Mas eu não me

importava se as consequências seriam boas ou ruins, eu queria viver, somente viver. Para sair

daquela aglomeração, eu puxei o meu amado e entrei em um quarto... só nosso. Eu sentia a

necessidade de todo o tempo afirmar o nosso amor e expressar da forma mais significativa

que eu conseguia que ele era o bem da minha vida.

– Venha, eles não vão sentir a nossa falta – Antonella falava com uma expressão nostálgica

O beijo era intenso, era quase uma necessidade física. Eles migraram juntos para outros

lugares que ninguém conhecia. Ninguém tinha permissão para entrar. Eles ali, eram eles. E o

beijo se aprofundava formigando a boca desejando depositar toda a forma de amar.


A luz incomodava meus olhos ao entrar pela janela do quarto que na noite anterior, eu tinha

deixado aberta para que ele entrasse. Ele não entrou, eu estava sozinha, eu estava só com a

companhia de um novo dia. Me sentei na cama e me senti frustrada, eu coloquei as mãos em

meus lábios ainda molhados pelo beijo que não dei, não nessa realidade. E ainda formigava,

ainda era um beijo... presente. Uma dor física invadiu meu peito e desejou que meu coração

parasse. Em qual universo eu tinha acabado de viver um amor?


Eu me questionava, dia e noite, sobre o sentimento que me rodeava. E, no final, eu descobri

que a solidão me fazia companhia, me oferecia um chá todos os dias. Era sempre sem açúcar,

gelado e do pior sabor. Mas eu escapava quando dormia, eu ia embora e me desfazia dessa

vida para que, em algum lugar, eu pudesse ser a princesa que o amor veio salvar.



Antonella Costa.

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