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A viagem

  • Manuella
  • 10 de out. de 2025
  • 1 min de leitura

Sempre achei que andar de avião nunca seria uma realidade pra mim.

Era algo que só existia em novelas e filmes,

uma realidade meio utópica.


Um dia, meus pais disseram que íamos viajar.

E, dessa vez, não seria de carro e nem de ônibus.

Seria de avião.


Na hora, fiquei muito animada e fiz uma dancinha de comemoração.

Afinal, não é todo dia que se viaja de avião,

ainda mais pela primeira vez


Lembro que contei os dias para o tão esperado momento chegar,

e, quando chegou, a animação era tanta que eu não me aguentava.


Passamos pelo raio-x e pela revista.

Eu me tremia de medo,

vai que estou levando algo ilegal e não sei.


Logo entramos no avião, e sentei do lado da minha mãe.

Meu pai e minha irmã ficaram juntos em outros assentos.

Era de noite, e uma garoa se fazia presente.


Quando o avião decolou, apertei muito forte a mão da mamãe.

Senti um frio na barriga que nunca tinha sentido antes.

Talvez fosse animação.

Ou medo.

Vai saber.


Já no céu, senti um misto de euforia.

Era real.

Eu estava voando.


Não me lembro muito da viagem em si,

porque dormi praticamente todo o voo.

Tomei remédio para não passar mal,

estômago de pobre não é muito preparado para essas coisas.


Quando estávamos quase chegando ao destino final,

a aeromoça disse para colocarmos os cintos: já íamos pousar.

Logo senti o avião descendo muito rápido e, nisso, simplesmente batemos

com muita força no chão.


Acordei assustada.

Ainda em casa.

Ainda sem ter voado.


Naquele dia, eu iria viajar de avião pela primeira vez.



Rádio Silêncio


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