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Anel de Prata

  • Montgomery
  • 20 de mar.
  • 2 min de leitura

Depois que o meu bom colega foi para outra turma, a cadeira ao meu lado ficou vaga, pronta para outro alguém sentar-se nela. Gina foi logo a primeira e então lá ela ficou.

Pelo restante do ano ela estava perto de mim, Eu comecei a notar seus favores físicos mais notáveis: ela tinha um rosto lindo, redondo porém pontudo pelo queixo, lábios carmesins bem-desenhados e olhos de íris escura como carvão; cor essa que combinava com seus longos cabelos ondulados que abraçavam a sua cabeça e o resto de seu corpo, que era formado de lindas e desejáveis curvas. Eu comecei a me apaixonar por ela.

​ Com toda a simpatia e amabilidade que ela tinha, ela me falava do seu namorado:


– Ele é tão bom para mim, olha o anel que ele me deu!


​ Em uma mão quase fechada, seus delicados dedos eram coadjuvantes para o longo anel de prata que aparecia envolvendo o fim do anelar. Eu segurei sua mão, levemente, para ver as gravuras.


– Eu o amo tanto, tenho bastante sorte. – Ela disse, pousando suas mãos em seu peito.

Depois, na noite daquele frio dia, eu estava dentro de largos cobertores, pensando em Gina, antes eu facilmente me conformava com as minhas outras paixões entrando em namoros, por que com Gina isso não ocorre?


Eu fui me tornar para o outro lado, onde estava os contornos da própria garota, de seu lindo corpo, inteira, usando não seu uniforme (como eu sempre a via) mas sim, outros trajes – que adequados não eram para o clima, talvez condiziam com a minha mente – e olhando diretamente a mim. A figura começou a dar passos em minha direção, eu fechei os olhos e não me permiti a continuar com essa fantasia da minha mente.

Gina se apropriou da minha mente, dos meus pensamentos, dos meus delírios. Ela fez isso sem sequer demonstrar nada além de simpatia e gentileza; uma garota que todos gostavam, eu a imaginava de outra forma, desejava-a de outra forma; e em uma prisão de barras imaginárias feitas de ferros morais eu fiquei, que me impediam de sequer tentar tê-la.


Montgomery

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9 comentários


Isaque Leão
Isaque Leão
24 de mar.

Expositivo a ponto de gerar constrangimento

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Hermes
Hermes
24 de mar.

Gostei muito de como seu texto se constrói nos detalhes, pois o deixaram mais vivo e envolvente. O contraste entre o dilema moral e o sentimento é bem trabalhado também.


Um retrato sensível de um amor contido. Me identifiquei bastante.

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Sissi Collins
Sissi Collins
24 de mar.

uau, a parte final me pegou muito. texto muito detalhado

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Emma
Emma
23 de mar.

Apreciei demais a maneira de como você descreveu a relação conflituosa entre a paixão e os dilemas morais. Muito bom o texto!

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Marilia De Dirceu
Marilia De Dirceu
22 de mar.

Gostei muito da forma detalhada a qual você retratou a situação no texto!

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