Na próxima vez, eu...
- Sissi Collins
- há 3 horas
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Nem ao menos o toquei. Nem ao menos o senti.
O vi se esvair pelas minhas mãos como poeira, afastando-se do pouco que um dia tivemos.
Ele só precisava de um detalhe. Só um maldito detalhe. Mas, no fundo, nunca foi sobre isso.
O detalhe virou desculpa. Desculpa por medo, para o orgulho, para essa mania que tenho de ir embora antes que alguém tenha a chance de ir primeiro.
Transformei o mínimo em tudo. E o tudo em motivo para partir.
Recusei suas ligações, seus gestos, sua presença, como se estivesse me protegendo, quando, na verdade, só estava me afastando de algo que eu queria.
Era mais fácil assim. Sempre foi. Bloqueei, apaguei, segui… ou pelo menos foi o que tentei acreditar.
Agora entendo.
Eu que criei a distância. Eu escolhi o silêncio. Eu que transformei um quase em fim.
E talvez seja isso que mais dói: perceber que, dessa vez, não houve erro suficiente do outro para justificar o meu afastamento.
Se houver uma próxima vez, prometo não fugir. Prometo não transformar detalhes em despedidas.
Mas, acima de tudo, prometo não me abandonar no meio do caminho.
— Sissi Collins

Seu texto ficou espetacular, consegui sentir sentimentos através das palavras. Muito bom