Carta ao Profundo
- Marília de Dirceu
- 27 de mar.
- 1 min de leitura
Perpétuo Profundo,
És o fantasma que me assombra até nos meus bons dias. A grande muralha que me separa da felicidade plena. A semente do medo, germinada em raízes fortes o bastante a ponto de não serem arrancadas com facilidade.
A ti, só o ódio e o inexplicável amor, tão próximos um do outro no fundo da minha alma. Luto contra a angústia de gritar na sua cara e espernear feito uma criança na esperança de voltar ao tempo da inocência, onde eu te esperava animada e cheia de expectativas, que logo eram quebradas com o olhar desapontado da minha mãe mas, mesmo assim, acreditava que poderia mudar. Querer que sinta tanta dor quanto eu senti me parece errado porque a vontade de vingança só vai me corroer aos poucos, me largar às traças e não chega nem perto de você. Mas nos meus dias mais escuros desejei que você tivesse morrido pois, assim, teria um motivo para sua indiferença. Por isso, sou covarde. Tenho medo. E nunca conseguiria tirar esse sentimento do papel ou da minha cabeça.
— Marília de Dirceu

Tirando a formatação, que achei estranha (mas que talvez seja apenas um erro de importação), texto muito bom. Complexo, tocante, trata muito bem do tema.
É complexo. O que não é ruim, muito pelo contrário. O complexo abre mais portas para o profundo.
Muito bem escrito, poético, perfeito.