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Como viver sem a fantasia?

  • Manuella
  • 16 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura

O meu maior desejo é confessável. Não tenho intenção de o omitir, uma vez que ele

representa o que seria a maior alegria da minha vida. Sonho com ele a minha vida toda, e

envolve o meu maior amor. É aquele desejo que eu peço toda vez igualmente em todas as

velas de aniversário, horas iguais, missas, pensamentos antes de dormir, cílios no dedo e

muito mais. Desde sempre.

No entanto, a realização desse desejo não depende de mim. Gostaria que dependesse -

Talvez assim, já teria se tornado realidade. Foco no talvez, pois sou muito boa em fazer

aquilo que preciso fazer, mas não com aquilo que quero fazer. Desde muito cedo, sentia

que sonhava alto demais, e em determinado momento, suponho que parei de sonhar, parei

de querer, parei de desejar. Tudo parecia tão longe, tão difícil, tão inalcançável. Mas, afinal,

um desejo realmente é um desejo se não se parece assim? A distância não é o maior

artifício para estimular o querer?

Quero tanto que o meu maior desejo se torne realidade que tenho medo do que vai

acontecer comigo se ele acontecer. O meu maior desejo também é meu, mas não é só meu.

E depois? Como eu fico? Como vivo sem a fantasia que cercou a minha vida toda?

O meu maior desejo talvez seja que o meu maior desejo nunca ocorra. Que eu viva a vida

sonhando que ele aconteça, me iludindo, torcendo e esperando. Assim, terei ainda uma

faísca dos tempos que tudo parecia tangível, tudo parecia próximo. Quando eu me permitia

sonhar por sonhar. Mais que isso, ainda terei como evitar o fato de que não desejo nada

para mim, que tenho medo de sonhar e nunca se tornar realidade. De criar altas

expectativas e me decepcionar. De viver caçando algo que nunca será meu.

O que mais quero depois de tudo que eu queria finalmente parar de ser um desejo e se

tornar uma realidade? Como volto a sonhar?


Lois Lane

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