Completamente desconhecido
- Fani Pimenta
- 20 de mar.
- 2 min de leitura
O despertador não tocou nesse dia, acordei atrasada e me arrumei correndo. Sai de casa levando duas grandes bolsas comigo, com aquele sentimento embaraçoso e desajeitado. Cheguei no ponto de ônibus e tinha alguém lá, nunca tem gente lá. E é aí que eu vejo, um jovem, que aos poucos percebo que é familiar, e que na verdade já estava nos meus pensamentos, sem eu nem perceber. O que fazer? Não sabia o que falar, ou se sequer deveria falar. Várias dúvidas, todas de uma vez. “Ele mora perto de mim? Não fazia ideia disso, acaba até sendo novidade, será que uma boa novidade?” O nervosismo consumiu e o tempo em silêncio entre nós aumentava. “Será que ele já me viu na escola? Porque se ele viu e eu também vi e ninguém falar nada vai ser estranho. Ele bem que podia falar alguma coisa. Vou falar.”
Ele respondeu e prestou atenção. Conversamos durante todo o trajeto, e ele estava com um belo sorriso no rosto. Conversa vai, conversa vem, “Nossa, como ele é bonito”, pensei. A namorada dele deve pensar o mesmo. Ela tem o mesmo nome que o meu, exatamente igual. De acordo com ele, era o nome abençoado. Quando ele falou isso naquele momento meu estômago revirou e meu coração pulou. Eu já sabia que ele tinha seu amor, e mesmo assim essa informação veio com força, como se fosse uma grande surpresa.
Como que pode? Por que ele já tinha uma namorada? Ou melhor, por que meu coração acelerou e um sorriso bobo surgiu enquanto eu tive a minha primeira conversa com ele? Mesmo sabendo que seu coração já pertencia a outra eu senti aqueles sentimentos bobos que não fazem sentido, mas sabia que ele estava apenas sendo educado. E mesmo sabendo disso eu me encontrei, novamente, começando a gostar de um bonitinho desconhecido, mas que dessa vez eu nem podia pensar em ter.
— Fani Pimenta

Gostei da narrativa! É muito interessante como alguns de nós sentem paixão à primeira vista e como essa atração é abordada de diferentes maneiras no mundo literário. Eu particularmente acredito no interesse (em forma de curiosidade) pelo desconhecido. Seu texto me fez voltar a alguns momentos em que meu coração acelerou pelo novo. Obrigado por compartilhá-lo conosco.
A decepção amorosa que assola a maior parte da população juvenil mundial. Texto muito bem estruturado, e enredo bem construído
Gostei da narrativa, fluiu bem e foi bem objetivo quanto ao recalque.