top of page

Desejo como perda

  • Manuella
  • 16 de nov. de 2025
  • 1 min de leitura

  Um desejo que não descansa. É como uma mão fechada dentro do peito, apertando algo que já não está lá. Não importa quanto tempo passe, ele continua pedindo, implorando, insistindo — como se eu pudesse recuperar o que perdi.

E o mais estranho é que eu sei que não posso.

O desejo acorda comigo, me acompanha no caminho, me cutuca no silêncio da noite. Diz que falta alguma coisa, que talvez eu encontre, que talvez volte. Mas não volta. A perda é teimosa, real, definitiva. O desejo, não — ele tem a audácia de ser infinito.

Às vezes acho que desejo tanto não por querer ter de novo, mas por não saber lidar com o espaço que ficou vazio. Porque onde a perda cava, o desejo tenta construir. E falha. Sempre.

Ainda assim, continua ali, pulsando como se tivesse esperança.

E eu, sem querer, sigo ouvindo.


Cece   

Posts recentes

Ver tudo
Aproveitar

Quando me veio à mente sobre desejos, pensei em alguns dos meus que já tinham se realizado, como já ter tido a oportunidade de viajar para fora do país e estar fazendo jornalismo em uma faculdade fede

 
 
 
A travessia que me atravessa

A ponte sempre me pareceu um corpo. Um corpo estendido entre dois lugares que fingem não se tocar, mas que, no fundo, se desejam. Toda vez que atravesso, sinto que sou eu quem está sendo atravessada.

 
 
 
Tomara que ela duvide

Refleti bastante antes de conseguir escolher sem muitas opções o que falaria aqui, meu desejo inconfessável é algo vergonhoso mesmo! E perdoem-me mas há muito mais de inconfessável do que realmente de

 
 
 

Comentários


©2024 por Ufficina de Leitura e Produção Textual 

bottom of page