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Desejo Repreendido, Objetivo Construído

  • Rô Mário Marra
  • 20 de mar.
  • 1 min de leitura

Existe um ditado popular que diz que para crer, tem que se ver. No entanto, como dizer algo desse cunho para meu eu pequeno, que nunca viu de fato sua carreira dos sonhos se concretizar, embora acreditasse na existência desde a infância? Os pais dessa criança não acreditavam que ele poderia ser jogador de futebol, com receio da maldade presente no meio (e com razão). Mas ele jamais deixou de acreditar que podia.


O tempo foi passando, e o menino percebia que ser o atleta que tanto almejava, não era tão fácil assim. O desejo perseguia sua mente, porém o ímpeto diminuiu drasticamente conforme a idade. E isso gerou um trauma grave: a criança que queria viver de futebol, parou de vez de praticar o esporte. Eu queria saber de tudo, menos de jogar bola, pois a cada milissegundo que o pensamento despertava, mais eu o comprimia, mandando para o inconsciente.


Acho que, de certo modo, esse tempo sem jogar futebol só aflorou interesses diferentes que poderiam se relacionar com o trauma. Para mim, quando novo, o estudo vinha em segundo plano. E a vida apresentou caminhos que redirecionaram o trauma para um lugar que o ressignificou. Hoje, eu jogo bola sem nenhuma pressão psicológica gerada por mim mesmo, além de me considerar um verdadeiro estudioso do esporte. O amadurecimento me fez perceber que, para viver do futebol, não é necessário que eu seja de fato um atleta profissional, para encontrar minha felicidade interior. O jornalismo me salvou.


— Rô Mário Marra

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5 comentários


Submarino
Submarino
26 de mar.

Trazer, junto do amadurecimento, significados diferentes para sonhos que nos moveram quando crianças. Belo texto.

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Sissi Collins
Sissi Collins
24 de mar.

Obrigada por compartilhar isso. Ressignificar um trauma e encontrar conforto agora com seu eu do futuro é bem bacana.

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Hermes
Hermes
24 de mar.

Ressignificar algo que por muito tempo foi reprimido é um passo super importante. Fico feliz que o jornalismo esteja te ajudando nesse processo.


É um bom texto. Mesmo sem vivenciar essa realidade, pude imaginar um pouco de como deve ter sido doloroso. Forças!

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T. Davison
T. Davison
22 de mar.

Concordo com a Joan Of Arc. O sonho do jogador de futebol muitas vezes é quebrado pela vida. Boa crônica

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Joan Of Arc
Joan Of Arc
21 de mar.

Esse recalque, além de muito triste, é muito presente na maioria dos meninos brasileiros, até por uma questão cultural. Gostei da forma que encontrou de falar sobre isso e de ressignificar esse trauma. Desejo felicidades no jornalismo!

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