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Escola dos sonhos

  • Foto do escritor: Isabela Pelluso
    Isabela Pelluso
  • 23 de nov. de 2024
  • 2 min de leitura

Muitas noites eu sonho que volto para a escola. No sonho eu estou no ensino médio, com as pessoas que passei grande parte dos meus últimos anos da adolescência, geralmente em aulas de exatas em que eu mais me prejudicava. Nesses sonhos eu já passei pra faculdade mas por alguma razão volto para a escola pra terminar as aulas de matemática ou física que faltam para eu conseguir me formar na universidade.


Nesses sonhos, estou novamente de uniforme, subo as mesmas escadas da escola, encontro os mesmos professores do ensino médio, vou para o mesmo ponto de ônibus depois das aulas e pego a mesma condução onde morava nessa época. Quando chego em casa no sonho, encontro minha falecida avó e meu avô em pé, com muito mais saúde, cozinhando o almoço para os netos e netas. Eu chego no apartamento que morava com meus avós, vou novamente para meu antigo quarto. E começo o mesmo ciclo no dia seguinte.


São no geral sonhos que parecem monótonos, rotineiros, cotidiano. Sonhos que talvez, para outras pessoas, deixariam um gosto de saudade, um sentimento melancólico e nostálgico, de tempos que talvez fossem, por um lado, mais fáceis. Mas por outro, tempos mais silenciosos, com menos liberdade sobre meu corpo, com menos autoestima, com menos expectativa de futuro ou de ser feliz. Eu me pergunto quanto tempo mais vou continuar tendo esses sonhos, parece uma ferida que nunca cicatriza. Ferida que me faz lembrar o quanto eu me sentia pequena nessa época. O que a gente precisa fazer para superar um trauma?


Mesmo que eu tenha reconstruído minhas percepções e tentado abandonar todos os medos que me cercavam nessa época, quando ponho o uniforme da escola nos sonhos e me vejo novamente com 15 anos e a sensação de que o passado de uma adolescência em que na escola ensinou mais sobre desumanização e negação de direitos do que matemática e física, continuará me assombrando.


Ametista

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1 comentário


magriuff
15 de jan. de 2025

Deve ser ruim essa sensação de deitar no presente e se ver presa em uma passado repressor, obrigada por compartilhar esse sentimento

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