Eu irrefletido
- gabriel gonçalves
- 27 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
Crônica por: Maru Serano
Fiquei me perguntando se a palavra “sombrio” significa algo necessariamente ruim. Pela etimologia, podemos dizer que o adjetivo representa a ausência de luz, algo relacionado a sombra, seja literal ou metaforicamente. Sei que dentro da nossa cultura, pelo menos, tal palavra carrega consigo um sentido melancólico, muitas vezes relacionado até mesmo a um quê de maldade e sinistro. Pensando nisso, como escrever sobre a minha sombra? É muito difícil, pra mim, fazer esse exercício de olhar pra dentro e analisar as faces ocultas que movem o meu agir, quando eu mal consigo entender aquilo que está aparente. Acho que a ideia é reconhecer aquelas características que muitas vezes negamos ter, mas que inesperadamente se manifestam como um reflexo.
Vou falar da minha impulsividade. Sobre como viver a experiência completa do momento supera os riscos e possíveis impactos decorrentes do mesmo. Da vontade de sempre se fazer presente; sentir e ser sentida. Do frio na barriga. O medo de deixar algo único passar e não poder aproveitá-lo novamente. O problema é que esse comportamento está inevitavelmente associado ao egoísmo. Saber que você está sendo egoísta é muito ruim. O remorso, a culpa martelam a cabeça por dias, com a intenção de fazer sentir em mim aquilo que provoquei em outro alguém.
Esse é o meu dilema. Como controlar esse comportamento que aparece como um instinto nas horas mais erradas? Acho que tenho que pensar que a minha impulsividade também pode me colocar em boas situações. Ser vista como espontânea, corajosa e ousada. Conseguir dizer o que me passa na mente. Fazer rir. Me arriscar em algo novo, que talvez não tivesse coragem se dependesse da minha plena sobriedade. No fim, é isso. Me resta aprender a lidar com as minhas sombras (talvez com um poucão de terapia). Mas no momento eu só posso escolher: sentir lamento por ter deixado de agir ou ser responsabilizada pelo meu capricho?

É bonito e difícil olhar para a própria sombra e você fez isso com uma honestidade que acolhe quem lê. Obrigada por dividir isso com seus leitores!
o edward tambem n refletia no espelho
vampirao pele de matador
Interessante a reflexão e a junção da sombra com a impulsividade, que muitas vezes assume esse perfil negativo, mas tem seu valor. Parabéns pelo texto e por todos os postados por aqui, fico feliz de ter estado na mesma turma que você, Maru
Bom texto, Maru! Para mim, a impulsividade não é necessariamente algo ruim. Às vezes, pode nos levar a lugares que sem a impulsividade não chegaríamos nunca. 🕷️
o olhar para dentro de nós mesmos sempre e desafiador, e admitir nossas possíveis falhas e mais ainda
ótimo texto