top of page

Luiza

  • Lenu
  • 20 de mar.
  • 2 min de leitura

O nome Luiza me tira do sério. Dá vontade de encher a boca e falar todo tipo de porcaria, criar apelidos estufados com ódio e fazer um relato detalhado de trinta minutos toda santa vez que alguém menciona esse nome. E mesmo assim, eu sonhei com Luiza ontem.


Sonhei que Luiza brincava de jogos de fliperama comigo, mesmo nunca tendo feito isso com ela, ou qualquer outra pessoa. O lugar era lindo, parecia cenário de filme dos anos 80. A cada passo andando ao lado dela eu escutava: “escolha o seu jogador”, “Game over”, “Fatality”. A gente ria de braços dados, como se estivéssemos em 2023 (e nós não estamos mais na Era de Ouro, isso não é o ensino médio). A risada dela era tão alta quanto na vida real, nunca seria igual. Ao final do sonho, Luiza e eu comemos uma comida barata e não tão boa, coisa que não faço com mais ninguém - odeio pagar por comida ruim - mas com Luiza fazia.


O meu desejo incrustado é poder te falar todas as coisas que deixei de te dizer por orgulho, ou quem sabe, autopreservação, mas Luiza não é qualquer nome para uma conversa fácil. Todas as minhas pessoas depois de você souberam quem era Luiza.


Luiza não é um “Luisa” qualquer com “S”. Luiza é fazer planos de ter um apartamento em Botafogo sem nem um tostão furado no bolso, é confidenciar segredos que eu não diria para a melhor das amigas, porque Luiza é confiança. Luiza é pedir conselhos quando o seu namoro está chegando ao fim e você precisa de um ombro amigo. Quanta ironia. Luiza é familiar, é um sentimento antigo que melhora com o tempo e deixa muita saudade da antiga boa convivência. Acordei sentindo a sua falta, desejando que todo aquele dia no meio de junho não tivesse acontecido e que eu ainda te conhecesse. Eu ainda teria a minha Luiza.


— Lenu

Posts recentes

Ver tudo
Procrastinação

Eu procrastino tudo na minha vida. Desde de tomar banho, até um trabalho importante que vale a metade da minha nota. Por muito tempo, não entendia porque isso acontecia, já que sou tão ansiosa que não

 
 
 
De novo

Tem um pequeno monstro embaixo da minha cama. Tem um monstro no meu armário.  Também tem um monstro grande esperando por mim atrás da porta. E eu aposto que tem outro no final do corredor. Eu sinto mo

 
 
 
Na próxima vez, eu...

Nem ao menos o toquei. Nem ao menos o senti. O vi se esvair pelas minhas mãos como poeira, afastando-se do pouco que um dia tivemos. Ele só precisava de um detalhe. Só um maldito detalhe. Mas, no fund

 
 
 

6 comentários


Eva Rubisco
Eva Rubisco
24 de mar.

Sua escrita é muito fluida e ao mesmo tempo expressiva, gostei muito! "Sua" Luiza me trouxe algumas lembranças...

Curtir

Isaque Leão
Isaque Leão
24 de mar.

Uso muito bom do recalque.

Curtir

T. Davison
T. Davison
22 de mar.

Uma boa desenvoltura sobre o recalque. Ótima crônica!

Curtir

Ýsis Devereaux
Ýsis Devereaux
21 de mar.

Já passei por exatamente a mesma coisa, fiquei extremamente tocada pelo seu texto. Você conseguiu deixar seu texto tão expressivo que nem percebi quando havia chegado ao fim

Curtir

Joan Of Arc
Joan Of Arc
21 de mar.

Só de ler, já dá pra sentir seus sentimentos sobre a Luiza, desde o título. Gostei da forma como se expressou e fez até o leitor sentir saudades de uma pessoa que a gente sequer conhece, e desejando que ela volte pra você.

Curtir

©2024 por Ufficina de Leitura e Produção Textual 

bottom of page