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Lágrimas de Um Deus de Nome Impronunciável

  • Foto do escritor: gabriel gonçalves
    gabriel gonçalves
  • 28 de mar. de 2024
  • 2 min de leitura

Guerra, sangue, morte, dominação... Vocês se orgulham do que têm feito?

De que vale a posse de um território, o domínio sobre a Faixa de Gaza, se vocês não escutam mais a minha voz?

Seria este jardim de rosas brancas um cemitério de almas perdidas, corpos feridos, corações despedaçados... Seria este jardim de flores vívidas um lar de carnificina, um manancial de covas, morada para os corvos... Devo chamá-lo de Poço do Desespero agora? Pois só vejo mortos-vivos implorando por paz em meio a guerra.

Eis aqui a floresta oculta, obscura, coberta de faces mascaradas rodeadas por crueldade e más intenções. Transformaram meu reino num território bárbaro, facínora, onde vejo adoecidos prestes a falecer e almas sofridas de inocentes, almas penadas, espíritos vagantes perambulando pela terra em que tanto sonharam habitar, mas foram impedidos pela visita previsível do Anjo da Morte batendo na porta de suas casas, enquanto o genocídio dessa guerra se estende.

Ó, Israel! Quando vocês choraram, eu chorei com vocês. Quando seus antepassados foram escravizados no Egito, eu os libertei. Quando estiveram sob domínio da Babilônia, eu cuidei de vocês. Quando por certo foram perseguidos, eu estive com vocês. Quando aprisionados, eu estive com vocês. Quando torturados, eu estive com vocês. Até quando sofreram nas mãos dos nazistas, eu também estive com vocês, mas me machuca saber que, no fundo, nada disso foi suficiente para convencê-los e fazê-los entender que não se deve reproduzir essas mesmas atrocidades contra outro povo, alegando que eu lhes concedi direito sobre esta terra na época dos seus ancestrais.

Hoje, eu não consigo mais me aproximar de ti, Ó Israel, pois, há muito tempo, você se afastou de mim com suas armas, com sua ganância, com seus tanques de guerra, com sua impiedade, com seu ego, com sua falsa moralidade, com sua falta de amor.

Me dói ver o quanto vocês estão perdidos e me dói ainda mais ouvir os lamentos, os gritos, sentir a dor sufocante que aperta os corações dos meus filhos palestinos. Me dói saber o quanto a voz daqueles que choram, dos que são reprimidos têm sido encoberta pela sua dominância tirana. Tenho concedido forças a todos os jornalistas e demais palestinos para que não pereçam, mas sobrevivam e, acima de tudo, vivam, vivam a vida que nasceram para viver. Afinal, de que vale este território e toda informação do mundo se não puderem ser compartilhados?

E seja Pai, Mãe, Alá, Yeshua, Jeová, não importa como me chamem. Se porventura me chamar, lembre-se de que eu sou justo e faço morada naqueles que desprezam a guerra, mas exalam amor, tal como alguns me chamam também e, já que meu nome é impronunciável, vocês podem me chamar assim, pois, de fato, é isso que eu sou. Eu sou amor! Lembrem-se disso.



- Daphyinne

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