Mesmo de olhos fechados
- Joan of Arc
- 20 de mar.
- 1 min de leitura
“Sabe que ter ele não seria ético, não sabe? Não é normal desejar o homem que mais te fez mal. Pense em você.”
Minha psicóloga diz, repetindo a frase que já ouço há 4 consultas seguidas.
Como um mantra que ela se sente na obrigação de repetir, até que eu entenda verdadeiramente.
“Eu sei.” Respondo convicta de que entendi, e enfim segui;
Saio plenamente confiante em mim.
Saí pelas ruas, fechei o olho pra tudo que me lembrava ele:
o coqueiro, a escola, a banca e tudo que era da cor laranja.
Não desejei ele por nenhum momento, não desejei abrir meus olhos, não desejei relembrar.
Sorri orgulhosa, enterrando essa ideia besta no mais fundo do meu inconsciente.
“Não penso mais nele, agora é sério.” Suspirei aliviada…
Mas à noite, parece que sempre meu inconsciente tinha outros planos para mim; e quando enfim fui para o mundo dos sonhos, me deparo com o pior pesadelo possível:
Tudo no mundo tinha a cor laranja
A escola,
O coqueiro,
E a maldita banca.
Percebo que não vale a pena fechar o olho, quando mesmo de olho fechado
Minha mente tá pronta para recebê-lo de volta, abrindo meus olhos a força
Para algo que enterrei vivo
E viverá pra sempre dentro de mim.
— Joan of Arc

Muito legal o uso do diálogo e das descrições no seu texto. Isso fez com que a inserção no cenário se desse de forma mais clara pra mim, como leitor.
Essa luta entre razão e desejo é muito real. Seu texto transmite isso bem, e a repetição e os símbolos (como a cor laranja) o deixam ainda mais marcante. Também gostei da formatação diferenciada.
Ótima estrutura de texto
Formatação de fato inovadora. Gostei.