Nem Combinava Mesmo
- Priscila Bandeira
- 20 de mar.
- 1 min de leitura
Finalmente decidi que estava pronta para sair de casa. O short servia, a blusa não estava amarrotada, meus dentes escovados e os tênis amarrados. Encarei-me no espelho uma última vez, conferindo se tudo me agradava. Fechei a porta do quarto e logo a voz de minha mãe se fez presente.
“Não acha que essa blusa está muito apertada?”
Senti, na hora, o efeito do comentário. Deu vontade de responder, no mesmo tom. Perguntar o que ela queria dizer com aquilo. A crítica tinha a ver com meu corpo? Com meu gosto por moda? Por que eu nunca parecia capaz de satisfazer minha mãe?
Engoli a seco todas as respostas e perguntas atravessadas que me surgiram na mente, lapidadas, perfeitas e ansiosas para escaparem de mim.
Quando percebi, já estava no quarto, trocando a blusa. A primeira escolha do dia agora fica no fundo do armário. Ela nem combinava mesmo.
— Priscila Bandeira

Excelente crônica!
Texto tão identificável! Muito ruim essa sensação de não conseguir se desvincular de comentários negativos de pessoas tão marcantes em nossas vidas como nossos pais.
Gostei da escrita!!! Retratou bem uma situação clássica que acontece. Boa crônica
Incrível. Já sou fã da forma como você escreve.
Simples, mas muito profundo e verdadeiro. Expressou bem.