O desejo reprimido
- Manuella
- 10 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Era manhã, a luz do sol entrava pela janela, eu estava no meu quarto mas ele não era exatamente na minha casa e você entrou.
Como se fosse de costume, como se fosse rotina. Sua aparição nos meus sonhos já não era recorrente há meses e te ver com uma feição tão positiva, tão leve, foi tão diferente que mesmo que soubesse que era algo novo não me incomodou ao ponto de questionar.
A vista da grande janela horizontal dava para o mar azul claro naquele dia, ainda estava na cama enrolando e você se sentou na ponta, começamos a rir, o ar era leve como nunca foi com você, era uma conversa tão gostosa… enquanto falava, você me dava a mão e estava pedindo perdão sobre como agiu, como me tratou, disse que errou comigo e se arrependeu muito disso, disse que eu não merecia e que queria ter agido diferente, queria que tivesse sido diferente.
Não foi pesado de ouvir, parece que era o que eu precisava escutar depois de tanto tempo, diferente foi ter uma imagem sua fazendo isso. Já ouvi que sonhos expressam nossos desejos, por vezes os mais profundos, e eu concordo bem com essa afirmação, porque realmente era tudo que eu queria que tivesse acontecido, mas não é assim que funciona.
Você não seria essa pessoa tão compreensível e que tivesse certa responsabilidade afetiva porque esse não é você, essa sou eu. Por muito tempo depois dos acontecidos, eu pensei que tivesse deixado tão claro as coisas que me incomodaram, te dado espaço para se expressar sobre como pensava acerca de tudo, eu queria apenas te entender não reprimir, e entender até onde estaria confortável para mim ao continuar o que estávamos tendo da forma que estava sendo.
O que nunca entrou na minha cabeça foi porque você insistia em dizer uma coisa se faria o oposto, ainda mais pela liberdade que eu te dava para a sinceridade mas, de repente você só não tinha coragem de assumir ou era covarde para impor suas reais vontades.
A minha vulnerabilidade foi sincera, deixei claro que tudo que vivemos foi importante e intenso para mim, mas não tinha como garantir que você escutasse como eu queria que escutasse.
Foi literalmente um sonho, pois tudo estava lindo, claro, quente, leve e depois de um beijo risonho, um abraço apertado com você se jogando para cima de mim e por fim, acabarmos deitados, eu acordei. Foi um sonho porque foi um desejo que por não ter virado realidade, de alguma forma eu permiti que se materializasse no meu subconsciente. E posteriormente, percebi que o estranhamento inicial foi por ter colocado seu rosto em ações que a pessoa que me relaciono, faz.
Veronicafundo

Achei o texto muito profundo! Adorei!