O maior medo que existe
- Manuella
- 19 de set. de 2025
- 1 min de leitura
Há um silêncio que chega sem aviso. Não é o silêncio comum. É aquele que a gente
ouve no peito quando percebe que o coração bate por um fio frágil. Esse silêncio tem
nome: medo da morte.
Não é um pavor de gritos. É uma melancolia quieta que chegou no dia em que a morte
levou quem eu mais amava. O medo vestiu-se de luto e aprendeu a morar em mim.
Aparece no crepúsculo, quando a luz morre devagar. É o arrepio ao passar pela
fotografia na estante e lembrar que aquele sorriso é agora só saudade.
Quem já viu a vida esvair-se por entre os dedos uma vez fica com os dedos eternamente
trémulos. O café tem o gosto amargo da lembrança.
A morte não negocia. Não discute termos. Já levou quem nunca deveria ter partido e,
mesmo assim, a sua fome não sacia.
Mas o dia segue. O sol nasce, e a indiferença dos outros passa por cima do luto. E o
medo recua para um canto escuro da mente. Vivemos tréguas. Rimos, trabalhamos,
amamos, como se fôssemos eternos. Vale a pena todo esse esforço? para no fim, morrer.
Talvez o maior paradoxo seja esse: conviver com a certeza do fim e ainda assim ser
obrigado a viver. O medo sussurra: “Aproveita, pois a qualquer momento tudo acaba”.
E assim sigo, com o temor e a saudade ao lado. Um passo de cada vez, agora sem
pressa, entre a sombra do que se foi e o medo do que será.
Luciferus

Me senti representada pelo seu texto. Adorei a escrita!