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O silêncio do carrinho

  • Manuella
  • 22 de set. de 2025
  • 1 min de leitura

Aos nove anos, ele ainda brincava de arrumar os carrinhos na prateleira, mas de repente aprendeu que brinquedo não o protegiam do escuro.

O medo não tinha forma, mas tinha cheiro, passos pesados no corredor e uma respiração. Para qualquer outro, seria apenas um carinho velho como se tivesse corrido quilômetros em pistas invisíveis.

  Para qualquer outro, seria apenas um brinquedo velho, mas para ele era uma fronteira: entre a infância que poderia ter sido e a infância que de fato foi.

Às vezes, ao abrir a porta sem querer, seus olhos batiam naquele prateleira o carrinho. O peito apertava, como se a lembrança tivesse cheiro, peso e voz. Não era o carrinho que doía — era o que vinha junto com ele. O medo, aquele frio que se enroscava no estômago, voltava inteiro.

O menino cresceu, mas dentro dele ainda havia aquele silêncio que um dia gritou. O carrinho, testemunha muda, guardava a memória de uma infância interrompida.

Alguns diriam: "Jogue fora, esqueça." Mas ele sabia — esquecer não é apagar. Esquecer é conviver sem deixar que o medo guie o volante. E, devagar, entre tropeços, o menino que um dia foi aprendeu a respirar ao olhar para o carrinho , sem deixar que ele fosse mais forte que seus passos.

Porque, afinal, não era o brinquedo que carregava o medo. O medo estava guardado nele mesmo, e só ele poderia, aos poucos, aprender a soltar.


Bruxa Má


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1 comentário


Cece
Cece
07 de out. de 2025

Não consegui compreender muito bem o item do medo em questão, mas achei o texto bastante profundo.

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