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O MONSTRINHO DO AÇÚCAR

  • Foto do escritor: gabriel gonçalves
    gabriel gonçalves
  • 25 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

Crônica por: Jelly Bean


Meu nome é Jellybean. Sim, aqueles confeitos coloridos, redondinhos, que prometem um êxtase açucarado na boca. Pois bem, Jung – aquele senhor barbudo que falava de arquétipos e sombras – deve estar rolando no túmulo cada vez que alguém clica no meu nome esperando historinhas fofas sobre unicórnios ou receitas de bolo. A ironia é tão grossa que poderia entupir um cano. Escolhi "Jellybean" justamente pelo contraste brutal, uma espécie de emboscada literária. Imagine a cena: o leitor desavisado, talvez após um dia difícil, busca um refúgio doce... e esbarra direto no meu caldeirão de inquietações. Desculpa aí, Jung, mas minha "Persona" é uma piada de mau gosto que eu mesma inventei. A máscara é cor-de-rosa brilhante; o que tem por trás... bem, nem sempre combina com o embrulho.



Falando em Sombra (com S maiúsculo, porque Jung gostava de drama), acho que a minha não só saiu do porão como instalou uma rede e uma mini geladeira lá dentro. Enquanto o nome "Jellybean" evoca festinha infantil, meus textos preferem passear pelos becos mal iluminados da experiência humana. Aborto? Assédio? Sim, são territórios que exploro sem pudor açucarado. Minha Sombra não é uma criatura assustadora que tento esconder; é uma colega de quarto barulhenta que insiste em colocar exatamente esses temas pesados na mesa do café da manhã, enquanto eu, a Persona Jellybean, tento disfarçar servindo chá numa xícara fofa de porquinho. É um conflito interno digno de comédia pastelão: a tentativa patética de pôr um laço de fita em um tijolo. Alguns chamariam isso de "integração". Eu chamo de "tentativa falha de não assustar os vizinhos".



A verdade, caro leitor anônimo que teima em clicar (bendito seja!), é que JELLYBEAN NUNCA FOI DOCE. Este pseudônimo é meu pequeno troféu de ironia, uma casca brilhante sobre um caroço amargo. Se Jung estivesse vivo, talvez dissesse que estou projetando minha escuridão de forma criativa. Eu digo que é apenas o jeito que encontrei de rir da própria cara – e da cara das expectativas. Afinal, qual a graça de ser só mais um docinho no pote? Prefiro ser aquele jellybean estranho, verde-escuro, que todo mundo evita mas que, de vez em quando, alguém corajoso experimenta e pensa: "Nossa, que gosto forte... mas até que tem personalidade". E se você leu até aqui, parabéns! Você sobreviveu à armadilha do confeito. A próxima crônica? Nem eu sei. Mas prometo que não será sobre fazer tricô. A Sombra já está coçando para falar de algo... interessante. Talvez o cofre no fundo do armário. Brincadeira. Ou não.


 
 
 

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5 comentários


Inês Brasil
Inês Brasil
01 de jul. de 2025

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Jorge M
Jorge M
01 de jul. de 2025

Muito interessante ter relacionado a sombra com a ironia no nome, foi muito bem pensada, e principalmente, bem explicada essa contraposição. Gostei muito dos seus textos ao longo dessa jornada, e esse fecha muito bem esse período de ótimas crônicas da sua parte. Parabéns pelo texto, Jelly Bean

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Peter Parker
29 de jun. de 2025

Você é uma escritora formidável, admirável. Amei o jeito como você retrata toda sua persona como uma Sombra, todos seus textos já são sua sombra, sua ironia, seu sarcasmo e sua forma de contar o sombrio de jeito leve.


Me sinto ansioso para conhecer seu lado "Luz"!🕷️

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Botânico
Botânico
28 de jun. de 2025

JellyBean adorei a forma que você traz a ironia pro seu texto (ri bastante nessa crônica confesso), definitivamente você faz juz ao que escreveu.🪻

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Maru Serano
Maru Serano
27 de jun. de 2025

Amo as suas sacadas. O tom irônico nos seus textos faz toda a diferença. Acho que afinal todos precisamos fazer um pouco de piada com as nossas desgraças pra conseguir lidar com elas.

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