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O Peso da Sombra

  • Manuella
  • 28 de ago. de 2025
  • 1 min de leitura

Sempre havia alguém melhor. O irmão que tirava as melhores notas, a amiga que sempre recebia os elogios, um conhecido que sabia mais que eu. Carrego comigo este trauma de comparação, uma mala invisível e pesada que me acompanha onde quer que eu vá, involuntariamente. Não sei dizer desde quando levo esse peso comigo, só sei que não me recordo de uma vida sem ele.

  A comparação chega sem avisar, acionada por gatilhos internos ou externos, muitas vezes disfarçados em conselhos do tipo: "Ela conseguiu, porque você não?". Cresci com essa voz negativa que, por mais estranho que pareça, não possui o timbre de ninguém ao meu redor; é a minha própria voz negativa que ouço ecoar. Sou réu e juiz dos meus próprios atos e falas.

  Na vida pessoal, no trabalho, nos hobbies que faço, está sempre presente a sensação de "nunca serei boa o suficiente". Não importa o que é feito, o esforço descomunal que faço para conquistar algo; o mérito logo se esvai, pois nunca sou digna o suficiente de merecê-lo. Sou sempre uma impostora.

  A maneira que encontro de lidar com esse trauma é tentar usá-lo como uma catapulta, impulsionando-me na busca de ser a minha melhor versão. Mas este impulso vem acompanhado de um dilema: e se, no fundo, esta for a minha melhor versão?


Carmen Santiago

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