Quando eu crescer
- Sabiá Romã
- 20 de mar.
- 1 min de leitura
Quando criança eu acreditava fielmente na ideia propagada pela ficção de que não importa quem você seja, todos sempre encontram seu lugar no mundo. Os filmes e seriados que eu consumia me mostravam uma vida cercada de bons amigos e histórias inusitadas, e eu sonhava com o dia que isso aconteceria comigo. Com o tempo, eu assisti os colegas ao meu redor trazendo para a realidade o mundo fantástico representado nas telas e torci para que o meu momento chegasse logo, mas de alguma forma minhas expectativas foram frustradas.
Não quero propagar uma injustiça, pois de fato me cerquei de algumas pessoas que eu amo com todo o meu coração e criei com elas memórias que guardo com carinho, mas o desejo ardente pela sensação de pertencimento nunca me deixou. A cada novo lugar que busco ocupar me pergunto o porquê, de não poder sentir a emoção forte de estar no “lugar certo na hora certa”.
Às vezes me pego cobiçando essa vida imaginária onde tudo parece se encaixar, mas busco me ater a minha própria realidade em que, apesar de faltar a sensação inebriante que eu sempre quis, não posso dizer que falta o afeto das relações completas. Talvez o meu lugar exista, mas não posso deixar de viver o que tenho no momento em função da ideia sonhada por uma criança que, após tantas decepções, certamente não existe mais em mim.
—Sabiá Romã

Consegui me ver enquanto lia essa crônica. Bom texto!
Boa crônica!
Conseguiu descrever muito bem, um sentimento que muito de nós já vivienciamos, de forma breve e clara.
Um texto simples, mas que exemplifica bem um sentimento muito comum. Me senti compadecido e identificado ao ler. Ótimo trabalho!
Interessante modo de enxergar a vida. Me sinto conectado ao seu texto.