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Quando eu crescer

  • Sabiá Romã
  • 20 de mar.
  • 1 min de leitura

Quando criança eu acreditava fielmente na ideia propagada pela ficção de que não importa quem você seja, todos sempre encontram seu lugar no mundo. Os filmes e seriados que eu consumia me mostravam uma vida cercada de bons amigos e histórias inusitadas, e eu sonhava com o dia que isso aconteceria comigo. Com o tempo, eu assisti os colegas ao meu redor trazendo para a realidade o mundo fantástico representado nas telas e torci para que o meu momento chegasse logo, mas de alguma forma minhas expectativas foram frustradas.

            Não quero propagar uma injustiça, pois de fato me cerquei de algumas pessoas que eu amo com todo o meu coração e criei com elas memórias que guardo com carinho, mas o desejo ardente pela sensação de pertencimento nunca me deixou. A cada novo lugar que busco ocupar me pergunto o porquê, de não poder sentir a emoção forte de estar no “lugar certo na hora certa”.

            Às vezes me pego cobiçando essa vida imaginária onde tudo parece se encaixar, mas busco me ater a minha própria realidade em que, apesar de faltar a sensação inebriante que eu sempre quis, não posso dizer que falta o afeto das relações completas. Talvez o meu lugar exista, mas não posso deixar de viver o que tenho no momento em função da ideia sonhada por uma criança que, após tantas decepções, certamente não existe mais em mim.


—Sabiá Romã

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6 comentários


Marilia De Dirceu
Marilia De Dirceu
22 de mar.

Consegui me ver enquanto lia essa crônica. Bom texto!

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T. Davison
T. Davison
22 de mar.

Boa crônica!

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Ýsis Devereaux
Ýsis Devereaux
21 de mar.

Conseguiu descrever muito bem, um sentimento que muito de nós já vivienciamos, de forma breve e clara.

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Kris
Kris
21 de mar.

Um texto simples, mas que exemplifica bem um sentimento muito comum. Me senti compadecido e identificado ao ler. Ótimo trabalho!

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aga.fullgas
21 de mar.

Interessante modo de enxergar a vida. Me sinto conectado ao seu texto.

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