Que horas são?
- Manuella
- 10 de out. de 2025
- 1 min de leitura
Aquela noite começou como qualquer outra. Eu dormi leve, num meio-termo entre o sono e a consciência. Não era um sonho profundo, mas também não era só descanso. E em algum momento, dentro desse quase-sono, eu percebi que estava sonhando.
É uma sensação curiosa, como se a gente se visse de fora, assistindo o próprio pensamento. E foi ali, nesse meio-lugar, que lembrei do que tinha lido: diziam que, se você perguntasse as horas dentro de um sonho, algo bizarro aconteceria. Como se o tempo não suportasse ser notado.
Perguntei.
E, no instante seguinte, o chão do sonho cedeu. Eu acordei presa dentro do meu corpo, incapaz de me mover. As vozes começaram a sussurrar ao redor — todas falando de tempo, cada uma dizendo um horário diferente, como se o próprio relógio estivesse fragmentado. O terror da imobilidade era cortado por calafrios gelados que se espalhavam pela minha pele, intensificando o pânico.
Fechei os olhos com medo do que poderia ver. E esperei. Foram poucos segundos, mas parecia que o tempo havia se esquecido de andar.
Depois, quando tudo passou, fiquei pensando se foi o sonho que quis me mostrar algo ou se fui eu quem provocou o sonho ao duvidar dele. Talvez o tempo não goste de ser questionado. Talvez a verdadeira pergunta não seja que horas são, mas sim em que realidade eu estou. E o medo não foi do sonho, mas de ter conseguido provar que existe um lugar onde o relógio pode quebrar.
Summer Breeze

Acho que poderia ter falado mais de sonho em si