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Seria eu o anti-herói da minha própria história?

  • The Albatross
  • há 20 horas
  • 2 min de leitura

Sempre me disseram que eu tinha sorte por ter uma família tão unida. E, de fato, tenho. Sou grata às forças do universo — ou ao acaso, que seja — por terem me cercado de pessoas tão amáveis. Não foram poucas as vezes em que conhecidos (às vezes nem tão conhecidos assim) comentaram o quanto minha relação com meus pais era admirável. Sempre achei curioso, porque, pra mim, aquilo era só algo normal.


Minhas irmãs, então, nem se fala. As pessoas mais lindas que conheço, e digo isso em mais de um sentido. Assim como meus pais, sempre me acolheram com carinho, cuidado e um amor quase didático, desses que ensinam o caminho quando a gente se perde.


Como se não bastasse minha sorte, também não tenho um histórico dramático no amor. Me apaixonei pelo meu melhor amigo, o que, convenhamos, já economiza algumas sessões de terapia. Ele é uma pessoa irritantemente adorável: bom filho, ótimo amigo, esforçado, otimista, bem-humorado e, acima de tudo, confiável. E isso, hoje em dia, vale mais do que qualquer coisa.

Claro, não acredito em família perfeita nem em relações sem defeitos, afinal o homem em sua essência é falho e a vida sempre encontra um jeito de pregar suas pegadinhas de mau gosto, que nos fazem perder a cabeça em algum momento. Ainda assim, não poderia estar mais satisfeita com o que tenho.


E é justamente aí que mora o problema!!!


Por que, então, eu insisto em arrumar motivos para estar de mal com a vida?


Talvez venha da infância, será? Comentários de familiares inconvenientes, comparações desnecessárias, pequenas frases que se acumulam como poeira na nossa mente. Ou de certos desabafos um pouco tortos, meio passivo-agressivos, sugerindo que eu poderia ser um pouco mais isso ou um pouco menos aquilo.


Pronto, está aí o pacote completo: insegurança, complexo de insuficiência e uma tendência quase profissional à comparação. Resultado? Crises de autoestima e longas conversas com o tadinho do meu namorado, que, a essa altura, já merece o título de terapeuta não tão voluntário.

Mas será que isso explica tudo? Será mesmo o suficiente para causar essa turbulência quando, aparentemente, tudo vai bem?


Ou será que, no fundo, existe uma estranha inclinação, quase uma teimosia, de procurar, lá no fundo da mente, um motivo qualquer para não estar bem? Porque, se eu for honesta, às vezes parece que o problema sou eu.


The Albatross

 
 
 

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1 comentário


Ýsis Devereaux
Ýsis Devereaux
há 19 horas

Que texto maravilhoso. Bem estruturado, bem escrito. Muito bom

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