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Um abraço no paraíso

  • Manuella
  • 16 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura

Desejos inconfessáveis. O que seria para mim algo que não tenho coragem de admitir,

nem mesmo através do espelho reparando e julgando meu próprio reflexo? Eu poderia

pensar e relatar tantas obscuridades, carnais ou não, mas prefiro me retirar do pódio que

já me coloquei. Pódio esse que, involuntariamente, fu*** a minha cabeça. Não é

recomendado ou talvez eu esteja pensando errado que, hoje em dia, tenha como viver

sem fantasia. O problema é quando essa necessidade transpassa a linha invisível entre a

loucura e a sanidade, até você se deparar que, raramente, é uma coisa ou outra

separadamente. Meu desejo ultrapassou todas as respostas de consolo que, mesmo com

tantas falhas, as pessoas tentavam me dar. Meu papel aqui nessa vida não é viver com a

realidade, mas fugir dela e encontrar no meio do caos o abrigo. O abrigo que me falta. O

abrigo que me acolhe. O abrigo que foi e ainda é a salvação de uma alma que insiste em

viver ao acreditar em coisas boas que a vida pode oferecer. Realidade utópica para

sobreviver. Quando penso que, meu desejo mais irreal é conseguir te abraçar, me deparo

com a figura de linguagem mais fácil de aprender, a sinestesia. Eu aposto que, hoje, seu

cheiro doce invadiu ainda mais a minha mente. Cheiro esse que não sinto, mas idealizo.

E torço para o vento me trazer batendo tão forte em minha pele que não saia, não fuja,

apenas que se abrigue. Meu desejo mais inconfessável, para mim, é querer te ter de

novo aqui, mãe. A dor não me permite dizer e a cicatriz ainda memoriza a negação do

luto que foi te perder. Espero que, em um universo mais gentil, você viva o dobro da

idade que permaneceu nesse aqui. Para que, enfim, eu possa desenhar na alma o seu

rosto me desejando novamente ‘‘boa sorte na vida’’.



Antonella Costa

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