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Uma esperança corrosiva

  • Kris Dreemur
  • 27 de mar.
  • 1 min de leitura

Entro em casa. Deito na minha cama. Mil preocupações na minha mente, de todos os aspectos na minha vida. Porém, uma delas supera tudo isso: dinheiro. O maldito dinheiro. Mas mesmo tendo em mente esta preocupação, eu pego meu celular e abro aquele maldito site. Repito aquele maldito ritual. Caio de novo naquele maldito vício. Um vício que se perpetua enquanto corrói a alma e o bolso.


Depois de mais uma sessão, vejo minha conta bancária em um estado cada vez pior. De novo vejo que perdi algo que não podia. Mas acima disso, fico com vergonha. Um sentimento de agonia por pensar que isso nunca vai acabar. Que isso vai sempre estar presente na minha vida e vai continuar arruinando qualquer pretensão de futuro que eu tiver. E que eu sempre vou ter a esperança de, um dia, vencer. De deixar isso para trás. Resolver o problema com o problema. Mesmo que eu saiba, no fundo, que isso jamais vai acontecer.


E mesmo assim... eu fico calado. Eu não consigo falar pra ninguém. Eu tenho família, terapia e amigos ao meu lado, e com um sentimento distorcido de querer preservar eles e manter isso como um problema só meu, eu fico calado. E o problema cresce. Como uma flor desabrochando dentro de mim. Pelo menos, em alguns momentos, parece uma flor. Mas é uma planta carnívora que devora minha mente por dentro. E que fica mais e mais forte. Que cresceu por anos até eu, enfim, criar a coragem de buscar ajuda e cortar ela e arrancar pela raiz. Mas uma semente ficou... e o ciclo continua.


— Kris Dreemurr

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3 comentários


aga.fullgas
30 de mar.

Fala bem sobre a persistência do trauma. Bom texto.

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Marilia De Dirceu
Marilia De Dirceu
29 de mar.

Muito tocante e fala de algo que acontece com muitas pessoas.

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Joan Of Arc
Joan Of Arc
28 de mar.

Texto bem construído e muito triste. Aconselho aproveitar o suporte que tem para buscar ajuda, não pense apenas no bem estar deles, mas no seu também. Você merece ajuda e merece melhorar.

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