Ela
- Emma
- 27 de mar.
- 2 min de leitura
Eu nem conhecia você direito, porém a queria tanto. Queria te conhecer mais, mais e mais. Tudo era importante. Os ínfimos detalhes, os relatos bestas do seu cotidiano ou quando nós ouvimos ao mesmo tempo as playlists que fizemos uma para a outra no Spotify porque o que eu gostava era importante para você. De repente você começou a ficar estranha, afastada. Nesse momento eu já sabia que ia vir um texto enorme no Whatsapp seguido da clássica frase:
— Você é muito legal, interessante e divertida, mas não quero nada sério agora. Podemos continuar amigas?
Já ouvi tantas vezes as mesmas variantes dessa frase que elas nem me surpreendem mais. Mas ela era diferente, claro que ela não era igual as outras. Isso soa tão clichê, mas não tem outra forma de descrever. Ela brilhava para mim, sempre tão magnética e com aqueles olhos castanhos lindos. Eu não poderia manter contato com ela nem se eu quisesse. Talvez eu definhasse aos poucos.
Nos afastamos e ficamos um tempo sem se ver. Até que um dia eu a vejo de relance na festa junina da minha escola. Ela parecia igual a última vez que eu a havia visto e tinha uma confiança invejável. Ela nem parecia ter um pingo de arrependimento! Imediatamente corri a um colo amigo e chorei copiosamente. A gente nem tinha se falado, pouco dela já bastava para eu ser inundada de memórias. Queria nunca mais ver ela na minha frente! Mas ela sempre arranjava um jeito de voltar, nem que fosse por sonhos ou deslumbres rápidos na minha visão. Agora já passou, sempre passa. Mas eu queria saber pelo menos uma vez na vida qual é a sensação de alguém ficar por você. Comigo, pelo menos, todos uma hora vão embora.
— Emma

Me identifiquei muito com o seu texto, parabéns pela escrita.