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A caixa

  • Foto do escritor: gabriel gonçalves
    gabriel gonçalves
  • 29 de set. de 2023
  • 2 min de leitura

Atualizado: 17 de nov. de 2023

O dia amanheceu lá fora, e a chuva caía fina do lado de fora, lançando ao ambiente um milagroso conforto.

Finalmente se podia sentir o ar fresco.

Eu levantei, tentando não pensar naquilo que mal tinha me deixado dormir na noite anterior. Aquilo no que eu trabalhei por anos, ou até mesmo a minha vida inteira se eu parasse pra pensar, e eu o teria nas mãos naquele dia. Ou ao menos aquilo era o que a editora tinha dito.

Segui a minha rotina matinal, lendo páginas que outra pessoa escreveu e que eu só posso imaginar o esforço e tempo que aquele simples objeto demandou dela. É uma experiência diferente quando você tenta por si mesma.

As horas passam e eu faço de tudo para distrair a minha mente. Coloco música, mudo os móveis de lugar, limpo o meu ambiente. Funcionam, mas assim que eu termino a atividade, um lembrete gentil toma conta: “Ainda não chegou”.

Saio, aproveitando o clima que eu tanto gosto. Observando as cores ao meu redor e gastando alguma energia com os meus passos.

E, ao voltar, ali está ela.

Sinto meu coração acelerar, meus olhos se arregalaram e um sorriso involuntário surgir no meu rosto enquanto observo a grande caixa deixada na minha porta.

Abro a porta, empurrando a caixa para dentro.

Pego uma tesoura, sentando de pernas cruzadas no chão.

Minhas mãos tremem levemente enquanto abro o pacote.

E, inevitavelmente, eu começo a chorar. Pegando meu primeiro livro publicado na mão, todas as horas dedicadas, toda a exaustão superada, todas as palavras soltas e todos os personagens que tentavam me contar a sua história: tudo aquilo tinha se tornado realidade e tinha ganhado peso, e uma capa, e aquilo era real, finalmente.

Abracei o exemplar junto do meu coração, agradecendo e pedindo que aquela história, a história que eu tinha criado, encontrasse leitores.

Acordei e não me surpreendi com o sonho que, mais uma vez, eu tinha tido.

E torci para que, apesar dos obstáculos impostos por mim mesma mais do que tudo, eu poderia um dia finalmente desejar o mais antigo dos meus desejos.


- Motoserra

1 comentário


Zulema Hernandez
Zulema Hernandez
02 de out. de 2023

Amei o início da crônica, leve e contando o dia a dia com detalhes da beleza da natureza, e logo ao final a sacada de que tudo era apenas uma ilusão e que você ansiava por esse desejo. Muito bom!

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