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A semente que o sol plantou

  • Manuella
  • 20 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Muitos buscam jeitos certos de expressar os sentimentos que os rodeiam e que os fazem ser o que são, mas neste momento, eu reconheço que apesar das palavras serem infinitas, eu jamais chegaria a essa fórmula mágica, ainda bem. Carrego dentro de mim, todos os dias, o ar da liberdade. Liberdade para ser o que sou de verdade, sem medo de parecer fora da caixa e o desejo que surge por querer furar uma bolha invisível que a sociedade, por muitos anos, plantou na nossa cabeça. Vai parecer clichê e tudo bem por mim, mesmo. Eu só gostaria de mostrar, sem vestir a máscara da perfeição, o que eu sou, o que de verdade eu sinto.

Não vou negar que de todas as pessoas que eu amo, talvez, a que esteja em último seja eu mesma. Ao me olhar no espelho, eu sou capaz de perceber todo o amor que transbordo por todos aqueles que meu coração bate, mas noto ao mesmo tempo as crueldades que faço comigo mesma. Eu não reconheço meus esforços, vejo defeito em tudo que faço e machuco meus sentimentos como forma de punição, sendo capaz de proferir para mim palavras que jamais diria para alguém. Mas também sou consciente de que enxergo a vida com o mesmo olhar puro de quando eu ainda era uma menina. Ainda gosto de sorvete depois do almoço e ainda acredito um pouco em mim.

Eu fecho os olhos e sinto como era estar com todos aqueles os quais eu me sentia amada. Percebo que em minha memória ainda guardo cheiros marcantes de vidas que puseram em meus sentimentos a nostalgia de sempre querer voltar... para casa. Dentro daquele tempo existia um universo múltiplo com escolhas infinitas e nulos questionamentos de como seria essa tal vida, pois não era necessário nomear ou entender, viver em si bastava. Já era um milagre ouvir as histórias de contos de fadas e ser sensível para entender que, na vida real, as princesas estão vestidas de bondade e esperança. E sentar na areia para apreciar o pôr do sol é uma dádiva milagrosa daqueles que ainda sentem dentro de si a necessidade de viver com o que a natureza se propôs a oferecer.


Antonella Costa.

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1 comentário


Cece
Cece
04 de nov. de 2025

Senti um profundo ato de vulnerabilidade e de compaixão no texto! Ficou ótimo!

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