Perfeito
- Manuella
- 2 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Dentro de cada um de nós mora uma multidão silenciosa. Às vezes, brigam entre si. Outras vezes, se abraçam em segredo.
Dizem que, numa manhã de neblina, sete viajantes se encontraram à beira de uma estrada antiga. Nenhum sabia ao certo para onde ia, mas todos carregavam algo dentro de si que os unia — o desejo de compreender quem eram.
O Inocente é o primeiro a acordar. Ele acredita que o mundo é bom, que as manhãs sempre trazem promessas. É ele quem nos faz sonhar, mesmo depois das quedas.
Logo atrás vem o Órfão, carregando a saudade do que nunca teve. É ele quem entende o peso da solidão, mas também a força que nasce quando se aprende a caminhar só.
Inocente foi o primeiro a falar. Tinha olhos curiosos e um sorriso fácil.
— O caminho é belo — disse ele. — Se acreditarmos, o destino cuidará de nós.
O Órfão, de olhar cansado, apenas baixou a cabeça. — Belo? — murmurou. — Já perdi tanto pelo caminho que mal acredito que há chegada.
O Herói se levanta decidido — quer consertar tudo, salvar o que pode, vencer o impossível. Mas quando o medo o visita, é o Rebelde que o toma pela mão e diz: “Rompa as regras, invente o caminho”.
Enquanto isso, o Governador observa. Ele quer ordem, quer poder sobre o caos. Às vezes o confundimos com a razão, mas no fundo ele só teme perder o controle sobre o próprio coração.
O Herói caminhava à frente, espada nas costas, coração pulsando coragem.
— Eu os levarei em segurança — prometeu. — Nenhum mal os tocará.
O Rebelde, rindo, respondeu: — Segurança é prisão disfarçada. Às vezes é preciso quebrar as muralhas para ver o céu.
O Criador chega por último, com as mãos manchadas de tinta e ideias. Ele vê mundos onde ninguém mais vê nada. E quando o silêncio ameaça tudo, surge o Mago — aquele que transforma dor em sabedoria, tempo em aprendizado, e a vida em poesia.
No fim do dia, todos se reúnem.
E percebemos que não somos apenas um —
somos todos eles, em uma dança invisível.
Cada gesto, uma fusão de forças antigas que sussurram:
“Você é o herói que cai, o órfão que busca,
O Governador organizava o grupo com voz firme. — Sem ordem, não chegaremos a lugar algum. Cada um tem uma função.
Mas o Criador, distraído, desenhava na areia. — E se o lugar não existir ainda? — perguntou. — Talvez precisemos inventá-lo.
Todos se calaram quando o Mago falou. Seus olhos pareciam refletir todos os tempos.
— Cada um de vocês é uma parte do mesmo ser. Este caminho não leva a um lugar fora, mas a um lugar dentro.
O grupo seguiu. No meio da jornada, enfrentaram chuvas, sombras e o silêncio.
O Inocente quase desistiu, o Órfão chorou, o Herói sangrou, o Rebelde se perdeu, o Governador quis mandar em todos, o Criador quis recomeçar — e o Mago apenas observava, paciente.
Ao fim da estrada, encontraram um espelho.
Nele, viram um único rosto — o de um viajante comum, com sete reflexos nos olhos.
E compreenderam, enfim, que todos sempre foram um só: o ser humano em busca de si mesmo.
Bruxa Má

Achei muito legal a forma que você construiu a história e gostei bastante de como você fechou tudo no final
Adorei o tema da busca interior e do equilíbrio foram abordados! Ótimo texto!