A vida e a morte
- gabriel gonçalves
- 12 de out. de 2023
- 2 min de leitura
Atualizado: 17 de nov. de 2023
Sinto muitas coisas que não consigo controlar e muito menos saber sua natureza, o porquê ele acontece. Em muitos casos, essa adrenalina de não conseguir identificar o que se sente nos faz mais vivos. Mas será que esse sentimento irracional nos faz mais vivos ou apenas evita o questionamento dos nossos medos mais profundos que se escondem nessa irracionalidade?
Um medo que sentimos de forma instantânea e é um senso comum na sociedade é o da morte. O medo do fim. Afinal, vivemos em um mundo de sobrevivência, e assim, uma das sensações que mais causa calafrios nas pessoas é o temor de em um segundo tudo simplesmente parar de acontecer. Apesar de ainda ser uma espécie de tabu em determinados diálogos, essa preocupação de não poder mais ver todos que você ama, de escutar o que te faz feliz, de sentir o que as pessoas mais importantes da sua vida te proporcionam, com certeza te traz uma sensação de nó na garganta.
E esses gatilhos de temor nos cercam diariamente, seja nas mais pequenas ações do dia a dia como sair na rua para comprar um pão, até uma comoção nacional por uma tragédia que nos faz questionar o sentido da vida. Isso para mim, é uma das piores sensações que nós não conseguimos controlar. A vida é uma dádiva tão linda que recebemos e mesmo assim em um estalar de dedo tudo vira memória? A minha mente não consegue descansar quando penso que posso deixar tanta gente triste quando eu partir, mesmo que seja um ciclo natural. Diversas vezes tento racionalizar esse medo e aceitar mais "naturalmente" essa única certeza da vida, mas mesmo assim eu não consigo ficar tranquilo.
Eu só queria que esse amor que eu sinto pela vida pudesse ficar livre de qualquer preocupação sobre seu fim. Mas acho que naturalmente eu absorvo esse medo e acabo me questionando sobre a justiça ou não de certas partidas. E nesse ponto já surge outra indagação que o tabu do temor da morte carrega consigo: a influência do destino nas nossas vidas. Será que realmente existe destino? Acho que esse medo se torna cada vez mais comum e cada vez mais difícil de explicar.
- Cronista de Niteroi


diversas vezes também tento aceitar mais "naturalmente" a nossa única certeza da vida, mas, assim como você, nunca consigo ficar tranquila, sempre vem mais questionamentos à cabeça.
Uma vez, me deram uma lição de moral que me deixou meio reflexiva. Me disseram que só tem medo do fim aquele que não tem certeza se fez o que realmente deveria ter feito em vida. Acho que esse texto quebra um pouco essa ideia, porque traz uma certa leveza relacionando esse sentimento indefinido a uma emoção de forte compaixão: a saudade de viver os momentos mais felizes da sua vida. Esse medo do rompimento nos gera uma certa angústia e eu sinto que já senti o mesmo. Meus parabéns! Um texto envolvente.
Um texto muito bonito! A primeira parte alugou um triplex na minha mente