Agenor canta Cazuza
- gabriel gonçalves
- 28 de mar. de 2024
- 1 min de leitura
Agenor é uma alma envelhecida que ainda possui o jovem desejo de experimentar cada aspecto da vida. A idade não se conta pelos anos que se passaram, mas pelos incontáveis dias onde existiu fora de si mesmo. Amadureceu e guardou em sua gaveta a vontade de ser visto, apesar de terem tentado por muitas vezes decifrar o que há por trás de seus olhos enigmáticos.
De Miranda aprendeu a amar sozinho, e assim o faz todos os dias, como se fosse o último. A vontade de fugir sussurra ao pé do ouvido vez ou outra, pelo puro desespero que é sentir além do que o coração é capaz de suportar. Ainda assim, fica por mais uma noite, beija com hálito de menta, se amarra a outro alguém e dança ao som daquela do Cazuza. É exagerado por natureza e cronicamente apaixonado pelo caos da paixão, afinal, viveu tantas décadas sem amar que existir sem sentir é sinônimo de morrer.
Bastou me sentar ao seu lado e iniciar uma conversa silenciosa para ver que, apesar do jeito quieto e andar impreciso, você é um homem real como qualquer outro. Talvez não o idealizado por aqueles que te criaram, mas definitivamente o idealizado por seu eu antes reprimido. Seu Agenor fala bonito mesmo calado, cativa sem precisar esboçar sorrisos, muda rumos através de um simples aperto de mãos. Posso dizer com facilidade que é dessas pessoas que se encontra por um propósito maior. Agenor de Miranda me fez um sujeito mais gentil comigo mesmo. Eu e meus exageros intrínsecos ficamos aguardando semanalmente a dose catártica que nos serve.
- Dante


Comentários