AMAR É TRAIR A PRÓPRIA DOR?
- Submarino
- há 20 horas
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Ela era perspicaz, como o vento que antecipa a tempestade antes mesmo de as nuvens se formarem. Ela era gentil, como a chuva fina que chega de mansinho e acalma o calor de um dia de verão. Ela era respeitosa como a maré que sabe a hora de avançar e de recuar, sem invadir o que não lhe pertence, apesar de que ela queria que lhe pertencesse. Ela buscava um espaço seguro para libertar sua verdadeira natureza, assim como eu. Então, nos encontramos. Encontramos um lugar para trocar conforto, respeito, escuta, reflexão e descanso. Ela era exatamente o que, sem perceber, eu sempre procurei.
Contudo, toda aquela harmonia natural passou a ser corrompida por mim. Eu ainda era imaturo e fiel à antiga sensação de falta, de ausência, do desejar e não ser desejado, da incerteza. Essa última era minha mais leal seguidora; ela fazia perguntas que não existiam, criava cenários que não aconteceram, transformava o cuidado em suspeita e construía interpretações equivocadas. Mas ela só queria amar. Quanto mais próximo o sentimento se localizava, maior era a ameaça. Quando tudo desmoronava, graças ao meu sintoma, vinham as cinzas, as quais eram acolhidas com familiaridade por mim. Como se perder fosse, de algum modo, voltar para casa.
— Submarino

"Quanto mais próximo o sentimento se localizava, maior a ameaça" essa frase se encaixa em diversos sentimentos. Amei como você encaixou nessa situação, essa passagem representou fielmente algo que já passei.